O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, voltou a criticar duramente o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa e anunciou que pretende pedir a revisão criminal de sua condenação no processo do Mensalão. Pré-candidato a deputado federal por Goiás nas eleições de 2026, Delúbio afirmou que considera injustas as decisões que resultaram em sua condenação e comparou o caso à Operação Lava-Jato, que também atingiu diversos políticos e empresários em todo o país.

As declarações foram dadas em entrevista ao portal Poder360. Durante a conversa, Delúbio classificou Joaquim Barbosa como um político e ex-magistrado “desqualificado”. Barbosa foi relator da Ação Penal 470, conhecida como processo do Mensalão, que levou à condenação de diversas lideranças petistas e de aliados do partido no início da década passada.

Ao comentar a pré-candidatura presidencial de Joaquim Barbosa, Delúbio afirmou que trabalhou para que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva o indicasse para o Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, o ex-ministro possuía um currículo respeitado antes de assumir protagonismo no julgamento que marcou a história política brasileira.

O petista também declarou que pretende buscar a revisão criminal do processo. Segundo ele, já tomou providências para que o pedido seja apresentado futuramente, mesmo em caso de seu falecimento. Delúbio revelou ter deixado documentos com familiares para garantir que a iniciativa seja levada adiante. Ele afirmou ainda que outros condenados no Mensalão estudam adotar medida semelhante.

Durante a entrevista, Delúbio comparou o Mensalão à Operação Lava-Jato, sustentando que ambos os processos teriam sido conduzidos sem provas suficientes contra os acusados. Sem citar diretamente o senador Sergio Moro, ex-juiz responsável pelos processos da Lava-Jato em Curitiba, afirmou que os erros cometidos no julgamento do Mensalão teriam sido repetidos posteriormente na operação que investigou esquemas de corrupção envolvendo a Petrobras e outras empresas públicas.

Condenado em 2012 pelo Supremo Tribunal Federal, Delúbio recebeu pena de oito anos e onze meses de prisão pelos crimes relacionados ao Mensalão. Anos depois, obteve indulto concedido pelo ministro Luís Roberto Barroso após cumprir os requisitos previstos na legislação para a concessão do benefício.

Além do Mensalão, Delúbio também foi alvo de processos ligados à Lava-Jato. No entanto, decisões posteriores reconheceram que a Justiça Federal do Paraná não possuía competência para julgá-lo em determinados casos, o que resultou na anulação de procedimentos.

Ao falar sobre seus planos políticos, Delúbio afirmou que pretende atuar para fortalecer a relação entre Goiás e o governo federal. Segundo ele, seu objetivo é contribuir para a governabilidade do presidente Lula e ampliar a interlocução do estado com Brasília. O petista também defendeu a construção de alianças políticas amplas, inclusive com lideranças de diferentes campos ideológicos.

Em relação à disputa pelo governo de Goiás, Delúbio reafirmou apoio ao nome do ex-deputado Luis Cesar Bueno como pré-candidato do PT, mas destacou que a decisão final dependerá da Executiva Nacional do partido e das negociações com as legendas que integram a base de

apoio do governo federal. Ele lembrou ainda que trabalhou por uma aliança com o ex-governador Marconi Perillo, projeto que acabou não avançando nas tratativas políticas realizadas nos últimos meses.

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil


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