As consequências das queimadas são, de modo gerais, prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana, e o uso racional e sustentável do fogo tem sido foco de interesse cada vez maior das políticas públicas ambientais. Incêndios devastadores e de grande proporção se alastram nos grandes descampados, nos cerrados e nas florestas do Pantanal do Mato Grosso, nos campos rupestres e nos cerrados de Minas Gerais, nas bordas e até no interior da floresta Amazônica e em outras regiões do planeta, como nas florestas do Chile, de Portugal, da Grécia, do Canadá, da Austrália e da Sibéria, e até mesmo na vegetação rasteira da gelada Tundra Ártica, onde não ocorriam.

Os conhecimentos de base científica sobre o tema e seus benefícios para os humanos e a natureza norteiam os trabalhos das Unidades de Conservação (UCs) de Minas Gerais, como é o caso do Parque Nacional da Serra do Cipó (PNSC), gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Na unidade, a UFMG, em parceria com o ICMBio, promove o curso de extensão Ecologia do fogo. A formação, que ocorre na Área de Proteção Ambiental (APA) Morro da Pedreira, no município de Santana do Riacho, integra as ações de interiorização da extensão da Universidade.

O curso é oferecido pelo Departamento de Genética, Ecologias e Evolução, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG. São também parceiros da iniciativa o Instituto Estadual de Florestas (IEF/MG) e a ONG Brigada 1.

Ciência, ecologia e sinergia

A formação nasceu para atender à demanda por qualificação de brigadistas, bombeiros, analistas ambientais e gestores ambientais que combatem incêndios florestais e lidam com desastres provocados pelo fogo nas APAs municipais, estaduais ou federais. Estudantes da UFMG também participam da atividade.

O coordenador do curso, professor José Eugênio Cortes, que é também um dos instrutores, destaca que o objetivo é compartilhar conhecimentos da ciência e da ecologia do fogo a um público diverso, que anseia pelo conhecimento científico tão necessário para embasar o Manejo Integrado do Fogo (MIF).

A ação visa ainda estimular discussões, trocas de informações, experiências e formação de parcerias. “É fundamental que esses agentes atuem em sinergia e reconheçam o quão importante são para a vida silvestre em nosso planeta e para a humanidade”, diz o professor José Eugênio.

Fundamentos em campo

Iniciado em Diamantina em 2016, o curso foi retomado, em novembro do ano passado, no Parque Nacional da Serra do Cipó, com o apoio da Pró-reitoria de Extensão da UFMG. A segunda edição teve a participação de equipes do parque e de cursistas de outras unidades de conservação interessados nos fundamentos do MIF.

Analista ambiental do ICMBio no PNSC, Edward Elias ressalta que a formação tem cumprido papel importante na capacitação dos brigadistas contratados e colaboradores que atuam na unidade de conservação. “É uma oportunidade de aprendizado e aprimoramento. Os conceitos de ecologia passam a ser considerados na execução dos trabalhos de prevenção e combate aos incêndios”, diz Edward, que também é brigadista florestal.

A terceira edição do curso Ecologia do Fogo está prevista para o fim de 2024, no Parque Nacional da Serra do Gandarela (MG). A expectativa da iniciativa de extensão da UFMG é promover a formação de forma continuada devido à necessidade de atualização constante dos participantes.

Para as mulheres

A parceria exitosa da Universidade com o ICMBio também se desdobrou no curso Manejo integrado e ecologia do fogo, que será promovido pelo Instituto, com o apoio da UFMG, de quinta a domingo, 25 a 28 de abril, no Parque Nacional da Serra do Cipó (PNSC).

A programação de quatro dias inclui conhecimentos relacionados à ecologia do fogo, abordagens de gestão do fogo no Brasil e no mundo e uma intensa parte de campo, na qual os cursistas poderão experimentar as práticas do Manejo Integrado do Fogo que vêm sendo estudadas e aprimoradas pelo ICMBio há alguns anos.

O curso contará com a participação de 35 cursistas, mulheres em sua maioria. Também ocorrerá o Primeiro encontro de mulheres brigadistas florestais, que homenageará 40 mulheres brigadistas que têm ou tiveram atuação destacada no território da Serra do Cipó. As atividades fazem parte das comemorações dos 40 anos do PNSC.


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