O presidente Lula (PT) defendeu hoje a ampliação do Conselho de Segurança da ONU e argumentou que os membros permanentes são os primeiros a “desrespeitarem” o Conselho. A declaração foi feita no encerramento da cúpula com presidentes da América do Sul.

O petista argumentou que o poder do órgão nas mãos de apenas cinco membros permanentes, com poder de veto, não é mais uma representação da geopolítica mundial. Os membros permanentes são Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França. “Todo mundo sabe que o Brasil briga há muito tempo. E nós vamos continuar brigando porque o Conselho de Segurança hoje representado pelos cinco países já não é mais a verdade da geopolítica do mundo “, declarou.

Lula defendeu que é preciso “mais gente” no órgão para que dar uma maior “densidade política” e “densidade moral” ao funcionamento da ONU. O presidente listou países que gostariam de entrar para o Conselho, como México, Alemanha, Nigéria e Egito.

Ele também fez críticas à falta de comprometimento dos países membros. “Os primeiros a desrespeitarem são os membros do Conselho de Segurança que não obedecem o Conselho. A guerra dos Estados Unidos com o Iraque não passou pelo Conselho de Segurança, a guerra da Inglaterra e da França com a Líbia não passou pelo Conselho de Segurança, a invasão da Rússia na integridade territorial da Ucrânia não passou pelo Conselho de Segurança”, pontuou.

Se os cinco membros não respeitam o Conselho de Segurança, o que estão fazendo dentro do Conselho de Segurança? Por isso é que nós achamos que a América do Sul tem que ter uma participação maior, mais efetiva. E não é o Brasil estar lá sozinho; o Brasil para ir lá, nós temos que mudar a representatividade. Se o Brasil for convidado, o Brasil tem que ser representante da América do Sul. Significa que, antes de a gente discutir uma coisa lá, a gente tem que aprovar aqui na América do Sul para que a gente possa ganhar força e credibilidade. É uma mudança muito forte que nós estamos querendo fazer na geopolítica mundial”, disse trecho da declaração de Lula.

O Conselho de Segurança nasceu junto com as Nações Unidas, em 1945, para promover a paz mundial, assim como a Assembleia Geral, outro mecanismo fundamental da ONU, mas com função diferente.

Uma reforma do Conselho de Segurança ocorreu uma única vez na história, em 1965. Isso no contexto da Guerra Fria, quando a ONU ampliou os membros não permanentes de seis para dez, mas sem alterar a concentração de poder do órgão nas mãos de apenas cinco membros permanentes.

O Conselho de Segurança é composto por apenas 15 membros, sendo cinco permanentes com poder de veto (EUA, China, Rússia, Reino Unido e França) e dez não permanentes, rotativos e sem poder de veto, eleitos a cada dois anos.


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