O ex-presidente Lula (PT) e seus principais auxiliares estão convencidos de que Jair Bolsonaro (PL) fará o que for possível para se manter no poder caso perca a eleição.

Diante do engajamento da cúpula do Ministério da Defesa na ofensiva contra as urnas eletrônicas e da ameaça do presidente de não reconhecer a vitória do rival, os petistas resolveram intensificar algumas estratégias.

Uma delas é reforçar o apoio incondicional ao Tribunal Superior Eleitoral e ao sistema eleitoral brasileiro. Como se sabe, Bolsonaro e seus apoiadores, de dentro e de fora do governo, dizem que as urnas podem ser fraudadas para dar a vitória a Lula e insinuam que o TSE faz parte dessa conspirata.
Não há indício mínimo de que isso seja verdade, mas os bolsonaristas mantêm o discurso, disseminando-o em eventos públicos e nas redes sociais. Uma das prioridades do PT é neutralizar e desqualificar essa teoria conspiratória.

Os petistas planejam ainda dar fôlego à agenda de denúncias no exterior do que chamam de risco à democracia representado por Bolsonaro. O plano é convencer autoridades de países europeus e dos Estados Unidos a acompanharem de perto a eleição brasileira e as repercussões do resultado, o que poderia inibir eventuais contestações por parte da equipe do ex-capitão.

Lula também quer atrair para a sua campanha personalidades e políticos de centro e até da centro-direita, como empresários e banqueiros, com o discurso de que é necessário apostar no diálogo, e não no tensionamento, para reerguer o país.

Essas estratégias ganharam relevância devido a uma debilidade do PT: o partido não tem um canal de diálogo permanente com a cúpula das Forças Armadas. Na prática, torce para que os militares cumpram seus deveres constitucionais e não embarquem numa aventura golpista de Bolsonaro.
A relação entre as partes se deteriorou bastante nos últimos anos graças a uma série de episódios, como a manifestação do então comandante do Exército, general Villas Boas, pressionando o Supremo Tribunal Federal (STF) para que mantivesse a ordem de prisão de Lula, em 2018.

Na semana passada, o ex-presidente se reuniu em Brasília com parlamentares de diferentes legendas. Com uma ampla coligação, Lula acha possível vencer Bolsonaro por uma larga diferença de votos. Ele considera que não há antídoto melhor para conter ímpetos golpistas, com ou sem a participação de militares, do que uma vitória inapelável nas urnas.