O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse, em entrevista à GloboNews nesta quinta-feira (25), que o presidente Lula (PT) precisa participar mais da articulação do governo com o Congresso.

Lira afirmou que o envolvimento facilitaria que Lula sentisse a “temperatura das coisas”. “É imprescindível para o país que o presidente se envolva mais nas agendas de recebimento de parlamentares de bancadas temáticas, líderes partidários. Quanto mais ele se envolve nesse processo, mais ele sente as temperaturas das coisas”.

O deputado fez uma metáfora com um time de futebol. “O fato de envolver ministros é bom, não vou dizer que atrapalha muito, mas sempre quando o jogo é coletivo e um jogador não está bem, está contundido, aquele time sente”.

O presidente da Câmara ainda disse que os parlamentares se sentem “enganados” quando o presidente faz muitos vetos em um texto que havia sido acordado. “Quando você senta na mesa de negociação de um texto com todos os líderes, esses líderes levam suas bancadas, as pessoas votam e há acordo, e esse tema volta com 15, 30, 20 vetos, o Parlamento se sente enganado”.

Na entrevista, Arthur Lira também disse que espera que a regulamentação da reforma tributária seja aprovada na Câmara e no Senado até o fim deste ano. Na avaliação dele, a proposta pode ser aprovada entre os deputados no primeiro semestre.

A ideia é que a Câmara monte dois grupos de trabalhos, com cerca de seis deputados em cada um, para discutir o texto apresentado pelo governo.

Lira também afirmou à GloboNews que o relator da regulamentação na Câmara deve ser escolhido ainda nesta semana.

Na segunda-feira (22), o presidente Lula cobrou mais articulação política de seus ministros. Lula disse que o PT tem poucos congressistas num universo de 513 deputados e 81 senadores. Por isso, cobrou que os ministros sejam mais atuantes.

Ele citou nominalmente os ministros. “Isso significa que o vice-presidente Geraldo Alckmin tem que ser mais ágil, tem que conversar mais. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem que, ao invés de ler um livro, perder algumas horas conversando no Senado e na Câmara. O Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento Social, o Rui Costa, ministro da Casa Civil, [tem que] passar uma parte do tempo conversando”. Petista afirmou que o governo precisa conversar com diferentes bancadas. “É difícil, mas a gente não pode reclamar, porque a política é exatamente assim. Ou você faz assim ou não entra na política”, falou.

A declaração ocorreu em um momento de crise entre o governo e o Congresso Nacional, o que coloca em risco a aprovação de projetos de interesse do presidente. Na última semana, Lira chegou a chamar o ministro das Relações Institucionais (responsável pela articulação política do governo Lula com o Congresso), Alexandre Padilha, de “desafeto pessoal e incompetente”.


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