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Em estudo publicado na revista PLOS Global Public Health, em 12 de maio, cientistas liderados pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revelam que no início da pandemia de Covid-19 pode ter havido subnotificação de 18% no número de mortes no Brasil.

Foram analisados 1.365 casos de óbitos entre fevereiro e junho de 2020, em Belo Horizonte (MG), Salvador (BA) e Natal (RN). Estas foram as causas relacionadas nos registros oficiais: síndrome respiratória aguda grave (SRAG), pneumonia não especificada, sepse, insuficiência respiratória e causas mal definidas.

O estudo cruzou bases de dados de prontuários médicos, exames e outras informações sobre cada caso e analisou se o registro deveria citar como causa básica a Covid-19.

“Muitas vezes o óbito ocorreu antes dos exames ficarem prontos, de forma que o médico assistente declarou como causa básica um fator mal definido ou uma doença que, na verdade, foi uma intermediária no processo mórbido. Em outros casos, a demanda de trabalho para as equipes de saúde era tão grande que ocorreram erros no registro das causas de morte, como a inversão de causas intermediárias com a causa básica”, explica a pesquisadora Elisabeth França, da Faculdade de Medicina da UFMG, citada pelo site da universidade.

25% de mortes por Covid

Os cientistas descobriram que quase um quarto das mortes investigadas foi, de fato, em decorrência da Covid. “Esse cenário tem implicações para as estatísticas vitais do país, pois temos um número importante de óbitos por causas ‘garbage’ (intermediárias) em cada estado que pode ocultar essa doença. Com base nos resultados da pesquisa, estimamos que o número de óbitos pela doença no Brasil em 2020 está subestimado em pelo menos 18%”, explica a pesquisadora.

Uma causa é considerada “garbage” nas estatísticas de mortalidade quando não é básica, ou seja, não representa uma doença ou o que levou diretamente ao óbito. É uma causa intermediária ou pouco específica, portanto pouco útil para a formulação de políticas de prevenção.

Os pesquisadores observaram maior subnotificação entre pessoas acima de 60 anos (25,5%). A estimativa de cerca de 18% de subnotificação no país é considerada conservadora pelos autores, uma vez que o estudo não analisou outras doenças associadas à Covid-19, como doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

De qualquer forma, os achados apontam que, somente em 2020, os óbitos causados pelo coronavírus que deixaram de ser registrados oficialmente chegaram a 37.163.

 


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