Uma pesquisa realizada pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados aponta que oito em cada dez brasileiros com até 40 anos defendem o fim da escala de trabalho conhecida como 6×1, modelo em que o trabalhador atua durante seis dias e tem apenas um dia de descanso semanal. De acordo com o levantamento, 82% das pessoas entre 16 e 40 anos apoiam o fim desse formato de jornada, desde que não haja redução salarial.

Considerando todas as faixas etárias analisadas, o estudo mostra que 63% da população brasileira é favorável ao fim da escala 6×1, independentemente da discussão sobre eventuais mudanças nos salários. A pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira, dia 12, e ouviu 2.021 pessoas com 16 anos ou mais em todas as 27 unidades da federação.

As entrevistas foram realizadas entre os dias 30 de janeiro e 5 de fevereiro. Segundo os responsáveis pelo levantamento, a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Entre os jovens de 16 a 24 anos, faixa conhecida como Geração Z, 31% afirmaram ser totalmente favoráveis ao fim da escala 6×1 independentemente de impacto no salário. Outros 47% disseram apoiar a mudança desde que não haja diminuição da remuneração. Há ainda 4% que declararam ser favoráveis à proposta, mas sem opinião definida sobre a manutenção ou redução dos salários.

Somados, esses grupos indicam que 82% dos entrevistados dessa faixa etária apoiam o fim da jornada 6×1 caso não haja alteração nos rendimentos dos trabalhadores.

Entre os brasileiros de 25 a 40 anos, classificados como millennials, 35% afirmaram ser totalmente favoráveis ao fim da escala, independentemente do impacto salarial. Outros 42% disseram apoiar a mudança desde que não haja redução de salário. Além disso, 5% declararam ser favoráveis, mas sem posição definida sobre a manutenção da remuneração.

Nesse grupo, o total de pessoas favoráveis ao fim da escala 6×1 também chega a 82%, desde que a medida não implique queda na renda dos trabalhadores.

Entre as faixas etárias mais altas, o apoio à mudança diminui. De acordo com o levantamento, entre os brasileiros de 41 a 59 anos, o percentual favorável ao fim da escala é de 62%. Já entre pessoas com mais de 60 anos, o apoio cai para 48%.

O diretor-executivo da Nexus, Marcelo Tokarski, afirma que os dados indicam uma transformação na forma como parte da população brasileira avalia o equilíbrio entre trabalho e qualidade de vida.

Segundo ele, embora exista um grupo maior que defende o fim da escala apenas se os salários forem preservados, também há um segmento que apoia a mudança independentemente do impacto financeiro. Para Tokarski, essa posição pode indicar uma mudança gradual nos valores associados ao trabalho e à organização da jornada profissional no país.

Foto: José Cruz/Agência Brasil


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