Falar sobre o uso medicinal da Cannabis ainda é um tabu em muitos setores da sociedade. No entanto, em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, a Tijucana Cannabis Terapêutica se tornou a primeira associação de Minas Gerais a conseguir autorização judicial para o cultivo coletivo de maconha para fins medicinais.

O projeto surgiu há 4 anos, quando a engenheira agrônoma Adriana Morais conseguiu na Justiça um habeas corpus para cultivar Cannabis sativa, que é o gênero da planta a partir da qual também se produz a maconha.

A filha dela, de 10 anos, tem epilepsia, uma síndrome rara, que prejudica a fala, e autismo. O canabidiol, óleo extraído da planta, ajudou a pequena Isadora no tratamento e melhorou a qualidade de vida dela.

“A associação nasceu de uma união de mães que são iguais a mim e que estavam no mesmo lugar que eu me encontrava com a minha filha. Só sabe o tempo que dura uma convulsão quando você vê o seu filho nessa situação. Foi justamente o óleo de cannabis que trouxe qualidade de vida para a minha filha”, disse Adriana Morais.

Segundo a associação, quase 90 mil pacientes no Brasil utilizam cannabis medicinal para tratar diversas condições de saúde, como fibromialgia, epilepsia, dores crônicas, esclerose múltipla, Parkinson, Alzheimer, ansiedade e depressão, entre outras patologias.

Os tratamentos mostraram melhoria significativa na qualidade de vida dos pacientes que não respondem bem aos tratamentos convencionais.

Agora, através da decisão judicial, o grupo poderá cultivar a planta para auxiliar os pacientes. A permissão abrange todas as etapas do processo, incluindo o plantio, colheita, extração e manipulação do óleo à base de cannabis para fins medicinais.

No Brasil, decisões semelhantes foram concedidas a outras cinco instituições. No entanto, a Tijucana Cannabis Terapêutica é a primeira de Minas Gerais.

 


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