Por Geraldo Elísio (Repórter)
A história de 1964 só não a vê quem não quiser. Foi uma intervenção direta dos Estados Unidos da América do Norte. Se hoje o presidente Joe Biden reclama o restante das Américas como parte integrante do mando de Washington, imaginem, em 64, o que pensava Washington após a crise dos mísseis no Caribe, colocando em confronto direto John Kennedy e Nikita Khrushchev.
Tenho guardado comigo até hoje documentos autenticados com as assinaturas do porte do então major Paulo Viana Clementino, dos coronéis PMs Heimar Matos, reportagens do ex-agente da CIA, Philip Agee e do ex-embaixador norte americano no Brasil, Lincoln Gordon e, além de tudo vi todos os filmes que comprovam o Brasil de 64 ter sido vítima de um golpe de estado promovido pelo Tio Sam. Nada até hoje contestado.
Além de ter lido a hoje vasta literatura sobre o assunto. Talvez a única frase do major Clementino, “Foi um golpe bem dado e mal acabado porque terminou nas mãos da UDN”, sirva para contestar as afirmações publicadas hoje referentes às declarações do general Braga Netto, pré-candidato a novo vice-presidente de Bolsonaro nas próximas eleições.
Em nota oficial ele diz que “o Movimento de 31 de março de 1964 é um movimento histórico da evolução política brasileira, pois refletiu os anseios e as aspirações da população da época.” Em momento algum o general Braga Netto fala das afirmações de Gordon que foi ele próprio que pediu a intervenção dos marines quando da realização da “Operação Brother Sam”.
Aliás ninguém nunca contestou o livro que eu escrevi, chamado Baú de Repórter – Memórias do Jornalismo Analógico – onde todos os documentos estão publicados, comprometendo muita gente boa que na ocasião das reportagens publicadas – a maioria no Jornal o Estado de Minas e algumas pelo resto da mídia – depôs e assinou.
Por medo de mim é óbvio que não é. Creio simplesmente pelo fato de que uma verdade comprovada é indestrutível. E o tempo se encarregou de mostrar isto. O espaço que utilizo no Novojornal, com a devida autorização do jornalista e publicitário Marco Aurélio Carone desde que iniciei atividades profissionais neste órgão, é permanentemente aberto direitos de respostas e nunca foi utilizado por quem de direito.
Sinceramente me cansa escrever sempre sobre isto. Repetem a mesma história enquanto outros tentam reescrevê-la da forma como não ocorreu. Posso até compreender sem concordar com as razões do general Braga Neto, mas nunca, em hipótese alguma, concordar com ele. Até mesmo porque, a exemplo do chefe dele, Bolsonaro, o mesmo está sempre disposto a desmentir algo dito e apresentar justificativas sem fundamento.
A todas as pessoas citadas nesta matéria automaticamente é garantido o direito da resposta no espaço tamanho e corpo.


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