A deputada Carla Zambelli (PL-SP) será interrogada nesta quinta-feira (26) como parte de uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF), em que é acusada de invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para inserir dados falsos. O interrogatório marca a última etapa da fase de instrução, quando são coletadas provas, cumpridas diligências e ouvidas testemunhas.
As testemunhas de acusação foram ouvidas na segunda-feira (23) e negaram que Zambelli tenha encomendado ao hacker a invasão do sistema do CNJ. As testemunhas de defesa serão ouvidas nesta mesma quinta-feira, antes do interrogatório dos réus.
A defesa da deputada nega as acusações e mantém que Zambelli é inocente. Já Walter Delgatti, conhecido como o “hacker da Vaza Jato”, confessou a autoria dos crimes. Delgatti ganhou notoriedade por invadir dispositivos de autoridades envolvidas na operação Lava Jato.
Em decisão unânime, os ministros da Primeira Turma do STF aceitaram a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Zambelli e Delgatti. A investigação indicou que ambos inseriram documentos falsos no sistema do CNJ, incluindo um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Segundo a PGR, Zambelli teve um “papel central” na invasão dos sistemas do CNJ, sendo apontada como a “autora intelectual” do ataque hacker. Entre agosto de 2022 e janeiro de 2023, Delgatti teria invadido repetidamente sistemas judiciais, adulterando informações como mandados de prisão, alvarás de soltura e decisões de quebra de sigilo bancário, e inserindo documentos falsos.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que o objetivo era “desmoralizar a Justiça Brasileira” e obter vantagens políticas. A investigação também revelou que o hacker tinha acesso privilegiado a informações e sistemas associados à parlamentar.
O pagamento pelos serviços de Delgatti teria sido “escamoteado”, segundo a PGR, sendo feito por meio de um intermediário – Jean Hernani, funcionário do gabinete de Zambelli, que não foi denunciado no caso. O plano visava gerar “vantagens midiáticas e políticas” e causar danos ao funcionamento do sistema judiciário.

