O Ministério Público (MP) solicitou a condenação de um pastor da Igreja Batista da Lagoinha que, durante um culto, relatou ter beijado sua filha na boca. O MP acusa o pastor de incitar a violência de gênero e pede uma indenização por danos morais coletivos, além de uma retratação pública.
O episódio ocorreu em abril, em um culto voltado para homens, no qual o pastor Lucinho compartilhou que considera sua filha um “mulherão“. Ele relatou: “Um dia peguei minha filha, dei um beijo nela, disse que a amava. Ela passava e eu falava: Nossa, que mulherão. Ai se eu te pego. Um dia ela se distraiu e eu dei um beijo na boca dela. E eu falei: Quando eu encontrar seu namorado, vou dizer: Você é o segundo, eu já beijei.”
O promotor de Justiça Ângelo Alexandre Marzano classificou a fala como um “odioso exemplo para pais e educadores“, afirmando que o discurso do pastor reforça estereótipos prejudiciais. Segundo o MP, o sermão promoveu apelos à violência, inclusive sexual, violando os valores éticos e sociais relacionados às mulheres e às famílias.
A ação foi motivada por uma representação de Sara Azevedo, candidata a vereadora em Belo Horizonte pelo PSOL. O Ministério Público requer que tanto o pastor quanto a igreja sejam responsabilizados e que a indenização seja destinada a um fundo público em defesa da igualdade de gênero.
Além disso, o MP exige que o pastor faça uma retratação pública no mesmo templo, com a mesma duração e público do culto em que as declarações foram feitas. Também é solicitado que a Igreja Batista da Lagoinha publique o vídeo do culto de retratação e mantenha a gravação disponível por, no mínimo, um ano.

