A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) prestou depoimento nesta segunda-feira (7) no Supremo Tribunal Federal (STF) em uma ação penal onde é acusada de envolvimento na invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para a inserção de dados falsos, crime ocorrido em 2023.
O hacker Walter Delgatti Neto, também réu no caso, foi interrogado no mesmo dia. Ambos se tornaram réus em maio, após denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR). Durante o depoimento ao juiz instrutor Rafael Henrique, do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, Zambelli negou ter solicitado a Delgatti qualquer ação contra o ministro.
“Eu não tinha motivo para pedir a alguém que fizesse qualquer coisa contra o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou a parlamentar ao ser questionada. Ela também refutou a ideia de ter feito qualquer “brincadeira jocosa” sobre o ministro e ressaltou que estava focada em preservar seu segundo mandato como deputada federal. Tanto Zambelli quanto seu advogado, Daniel Bialski, negaram as acusações.
O depoimento da deputada estava inicialmente marcado para o dia 26 de setembro, mas foi adiado devido a problemas de saúde. Walter Delgatti, em seu interrogatório, admitiu arrependimento pela invasão ao sistema do CNJ.
Segundo a investigação, Delgatti, sob orientação de Zambelli, teria inserido documentos falsos no sistema do CNJ, incluindo um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. A PGR alega que Zambelli teve um “papel central” no ataque cibernético, sendo a “autora intelectual” do crime. Ela teria “arregimentado” Delgatti, prometendo-lhe benefícios em troca dos serviços.
De acordo com a denúncia, entre agosto de 2022 e janeiro de 2023, Delgatti invadiu repetidamente sistemas do Judiciário, adulterando mandados de prisão, alvarás de soltura e decisões bancárias, além de emitir documentos falsos.
Em junho, a Primeira Turma do STF decidiu, por unanimidade, aceitar a denúncia contra ambos.

