Por Marco Aurélio Carone,
A difícil situação do PSDB, outrora um dos maiores partidos do Brasil, tornou-se ainda mais evidente após as últimas eleições municipais. O partido, que já governou o país e foi protagonista em diversas gestões estaduais e municipais, enfrenta um colapso que parece irreversível. A derrocada se deve, em grande parte, às decisões equivocadas de suas lideranças, além do estigma de corrupção que ronda a figura do deputado Aécio Neves.
O PSDB, que em 2020 elegeu 520 prefeitos, viu esse número despencar para 269 em 2024, uma perda de quase metade de suas administrações municipais. O cenário na bancada federal também não é promissor: em 2022, o partido conseguiu apenas 13 deputados, o que já era um reflexo da crise interna que assola a legenda desde a revelação de escândalos envolvendo Aécio. Agora, com a cláusula de barreira cada vez mais rígida, a sobrevivência do PSDB em 2026 parece ainda mais desafiadora, exigindo um número maior de votos para garantir acesso ao fundo partidário e tempo de TV.
Aécio Neves, outrora um dos nomes mais fortes do partido e governador de Minas Gerais, tornou-se um símbolo de declínio. Seu envolvimento em investigações de corrupção e a percepção negativa sobre sua figura minaram a credibilidade do PSDB junto ao eleitorado. O desgaste político foi profundo e levou o partido a uma situação crítica, onde erros de estratégia e a perda de base eleitoral culminaram em resultados desastrosos.
Nesse contexto, o PSDB, juntamente com o PDT e o Solidariedade (SD), vê a formação de uma federação partidária como uma tábua de salvação. Essa aliança, embora pragmática, ainda enfrenta dificuldades, como a falta de afinidade ideológica entre os partidos. “Estamos discutindo as possibilidades. A federação não está descartada, mas não é uma certeza”, afirmou o deputado André Figueiredo, presidente do PDT, ressaltando o caráter essencialmente eleitoral da negociação.
A federação surge como resposta à ameaça representada pela cláusula de barreira, que já impactou partidos menores e agora coloca em risco legendas tradicionais. O PSDB, ao lado de seus potenciais parceiros, busca uma união ampla que envolva até cinco partidos, segundo Paulinho da Força, líder do SD. Essa estratégia, no entanto, não esconde o fato de que a federação é um esforço de última hora para manter alguma relevância no cenário político.
O impacto da cláusula de barreira se intensificou nas eleições deste ano, com o número de partidos eleitos caindo de 29, em 2020, para 21 em 2024. Em 2026, a exigência será ainda maior, obrigando os partidos a elegerem ao menos 13 deputados federais ou obterem 2,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados, uma meta cada vez mais difícil para o PSDB.
Enquanto tenta sobreviver, o PSDB enfrenta também a insatisfação de seus aliados. O Cidadania, que se federou com o PSDB em 2022, questiona a continuidade da aliança após ver sua presença nas prefeituras despencar de 140 para apenas 33. O presidente do partido, Comte Bittencourt, criticou a influência desproporcional do PSDB nas decisões internas da federação, principalmente em cidades estratégicas como o Rio de Janeiro.
O PSDB, que já foi um dos pilares da política brasileira, hoje luta para se manter relevante em meio a uma crise que parece não ter fim. A aposta em federações partidárias, embora necessária, não esconde o fato de que o partido está fragilizado, carregando o peso de erros históricos e o fardo de lideranças desgastadas como Aécio Neves.

