Morreu na manhã deste domingo, em São Paulo, a escritora Lygia Fagundes da Silva Telles, de 98 anos. Uma das maiores escritoras brasileiras de todos os tempos morreu em São Paulo, aos 98 anos.
Autora de romances como “Ciranda de pedra” (1954) e “As meninas” (1973), e livros de contos como “Antes do baile verde” (1970) e “A noite escura e mais eu”) (1995), Lygia nasceu na capital paulista e era integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL). Ela recebeu os prêmios Jabuti, APCA e Camões, distinção maior em língua portuguesa pelo conjunto da obra.
Frases marcantes de Lygia
“Sou escritora e sou mulher – ofício e condição duplamente difíceis de contornar, principalmente quando me lembro como o país (a mentalidade brasileira) interferiu negativamente no meu processo de crescimento como profissional.”
“Algumas das minhas ficções se inspiraram na simples imagem de algo que vi e retive na memória, um objeto, uma casa, uma pessoa…”
“O escritor pode ser louco, mas não enlouquece o leitor. Ao contrário, pode até desviá-lo da loucura. O escritor pode ser corrompido, mas não corrompe. Pode ser solitário e triste e ainda assim vai alimentar o sonho daquele que está na solidão.”
“Sou escritora e sou mulher – ofício e condição duplamente difíceis de contornar, principalmente quando me lembro como o país (a mentalidade brasileira) interferiu negativamente no meu processo de crescimento como profissional.”
“Algumas das minhas ficções se inspiraram na simples imagem de algo que vi e retive na memória, um objeto, uma casa, uma pessoa…”
Romancista e contista
Lygia Fagundes Telles (1923 – 2022) foi romancista e contista, e representante do movimento Pós-Modernista. Nasceu em São Paulo, no dia 19 de abril de 1923. Filha do promotor Durval de Azevedo Fagundes e da pianista Maria do Rosário Silva Jardim de Moura, passou sua infância em várias cidades do interior em função do trabalho do pai.
Aos 15 anos publicou o primeiro livro “Porão e Sobrado”. Estudou no Instituto de Educação Caetano de Campos na capital paulista. Frequentou a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo, onde também cursou Educação Física.
Colaborava com os jornais “Arcádia” e “A Balança”, ambos vinculados à Academia de Letras da faculdade. Frequentava os encontros de literatura com Mário e Oswald de Andrade. Sua estreia oficial na literatura ocorreu em 1944, com o volume de contos “Praia Viva”. Em 1947, casou-se com um de seus professores, o jurista Goffredo Telles Júnior, com quem teve um filho.
Produziu o romance “Ciranda de Pedra” (1954), no qual relata a história de um casal que se separa e a caçula vai morar com a mãe, onde vive os dramas ocultos de uma jovem de pais separados. (A obra foi adaptada para uma novela na TV Globo).
Em 1958, Lygia publicou o livro de contos, “História do Desencontro”, que recebeu o Prêmio Artur Azevedo do Instituto Nacional do Livro. Em 1960 separou-se do marido. Em 1963 casou-se com o ensaísta e crítico de cinema Paulo Emílio Salles Gomes. Nesse mesmo ano, publicou seu segundo romance “Verão no Aquário”, que recebeu o Prêmio Jabuti.
Junto com Paulo Emílio, escreveu o roteiro para o filme Capitu (1967), baseado na obra Dom Casmurro de Machado de Assis, uma encomenda de Paulo César Saraceni, que recebeu o Prêmio Candango de Melhor Roteiro Cinematográfico.
A obra “Seminário dos Ratos” (1977) recebeu o Prêmio PEN Clube do Brasil. “A Disciplina do Amor” (1980) recebeu o Prêmio Jabuti e o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte.
A escritora foi a terceira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira n.º 16, no dia 12 de maio de 1987. Foi eleita para a Academia das Ciências de Lisboa. Em 2001, recebeu o Prêmio Camões, que lhe foi entregue em 13 de outubro de 2005, durante a VIII Cúpula Luso-brasileira, realizada na cidade do Porto, Portugal. Em 2016 e aos 92 anos de idade, Lygia Fagundes Telles tornou-se a primeira mulher brasileira a ser indicada para receber o prêmio Nobel de Literatura.

