A organização Oxfam acusou Israel de realizar as etapas finais de uma limpeza étnica no norte da Faixa de Gaza, onde cerca de 50 mil a 75 mil pessoas ainda vivem sob cerco militar. A ONG afirma que há quase dois meses suas equipes e outras entidades humanitárias não conseguem acessar a região para prestar assistência. “Nossa equipe tem tentado, desesperadamente, alcançar civis famintos, mas foi bloqueada pelo Exército israelense. Sabemos que muitas crianças morrerão de fome”, declarou Amitabh Behar, diretor-executivo da Oxfam, em nota divulgada nesta quarta-feira (27).
Desde o início do cerco em 6 de outubro, Israel tem impedido o acesso humanitário ao norte de Gaza. A ONU tentou 41 vezes levar ajuda entre 1º e 25 de novembro, mas apenas quatro missões foram inicialmente aprovadas e severamente limitadas. “Nenhuma das tentativas da ONU de apoiar as pessoas sitiadas foi plenamente facilitada”, informou o Escritório de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha). A Agência da ONU para Refugiados Palestinos (Unrwa), expulsa de Israel em outubro, também denuncia o bloqueio de ajuda na área.
A Oxfam destacou que Israel estaria construindo infraestrutura militar para uma anexação de longo prazo, “eliminando qualquer esperança de uma solução justa e pacífica”. A organização calcula que 100 mil pessoas foram forçadas a deixar o norte de Gaza, com muitas transferidas para o sul. “As transferências forçadas criaram uma superlotação tão grande que as condições agora são semelhantes à fome”, afirmou a ONG.
Israel nega as acusações e declara que permite ajuda humanitária. Segundo as Forças de Defesa de Israel, 323 pacientes foram transferidos do Hospital Kamal Adwan, que teria recebido combustível e suprimentos médicos. O governo israelense afirmou agir conforme o direito internacional para apoiar respostas humanitárias, especialmente na área médica.
Apesar dessas declarações, a Oxfam descreve uma realidade alarmante na região central e sul de Gaza, onde milhares de deslocados vivem em condições extremas. “A parte sul de Gaza parece um país completamente separado de nós”, relatou a organização, que lembrou que Israel, como poder ocupante, é obrigado pelo Direito Internacional Humanitário a proteger e atender as necessidades da população de Gaza.
Foto: Ammar Ammar

