O procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, indicou que a decisão da PGR sobre o inquérito da Polícia Federal (PF) envolvendo Jair Bolsonaro (PL), ex-presidente acusado de tentativa de golpe de Estado, será tomada apenas no próximo ano. Durante entrevista à CNN Brasil, Gonet destacou a complexidade do caso, que envolve 37 indiciados, como motivo para a postergação.
“Este é um caso de enorme complexidade, inclusive pelo número de pessoas envolvidas. Qualquer manifestação tem que ser responsável, ponderada e justa”, afirmou Gonet, em Lisboa, onde participa do Fórum de Integração Brasil Europa (FIBE). Ele enfatizou a necessidade de um “estudo aprofundado” pela força-tarefa da PGR antes de tomar qualquer decisão.
Entre as possibilidades estão oferecer denúncia contra os indiciados, arquivar o caso ou solicitar novas diligências. Para Gonet, a chance de uma posição ser tomada ainda este ano é baixa: “É improvável uma decisão em duas semanas. Não pode haver açodamento nesse processo.”
Com o relatório da PF concluído e composto por 884 páginas, cabe agora à PGR avaliar os próximos passos. Caso a Procuradoria concorde com as investigações policiais, pode apresentar denúncia à Justiça, o que colocará Bolsonaro e outros 36 indiciados no banco dos réus.
Entretanto, se a PGR considerar que faltam elementos suficientes para uma acusação formal, novas diligências poderão ser solicitadas. Alternativamente, Gonet pode optar pelo arquivamento, encerrando as implicações legais para os indiciados.
Se a PGR decidir por denunciar, o caso será submetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), que terá a prerrogativa de acatar ou rejeitar a denúncia. Caso aceita, os acusados se tornarão réus e enfrentarão julgamento no Judiciário.
A expectativa por uma decisão sobre o caso segue alta, mas o procurador-geral reiterou a necessidade de cautela e tempo para garantir um processo justo e bem fundamentado. Com isso, a definição deve ocorrer somente em 2025, mantendo o desfecho do caso ainda em aberto.
Foto: FIBE /Cláudio Noy

