O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu neste sábado os comandantes das Forças Armadas no Palácio da Alvorada, em um encontro que contou também com a presença do ministro da Defesa, José Mucio. Participaram da reunião o general Tomás Paiva (Exército), o almirante Marcos Olsen (Marinha) e o brigadeiro Marcelo Damasceno (Força Aérea Brasileira – FAB).
Entre os principais temas abordados estava a proposta do governo de estabelecer uma idade mínima de 55 anos para que os militares passem para a reserva, como parte das mudanças no sistema previdenciário da categoria. A medida, anunciada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na última quinta-feira, faz parte de um pacote de ajustes fiscais que pode gerar uma economia de R$ 2 bilhões por ano.
Embora o projeto ainda não tenha sido enviado ao Congresso Nacional, técnicos da Fazenda e da Defesa trabalham para definir as regras de transição e ajustes necessários. Hoje, a idade média de transferência para a reserva é de aproximadamente 52,5 anos. A proposta de aumentar o tempo para 55 anos exige alterações na lei de promoção militar, a fim de evitar que coronéis e suboficiais permaneçam excessivamente em um mesmo posto devido à falta de vagas.
A reunião aconteceu em um contexto delicado, poucos dias após a Polícia Federal (PF) indiciar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 36 pessoas por suposta tentativa de golpe de Estado. Entre os indiciados, 24 têm vínculos com as Forças Armadas, o que adiciona tensão ao cenário.
De acordo com fontes do governo, os indiciamentos não estavam na pauta inicial da reunião, mas poderiam ser mencionados durante o encontro. Apesar do foco técnico, o diálogo reforça a importância de ajustes na relação entre o governo e as Forças Armadas, diante das recentes mudanças e das propostas em tramitação.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

