O ministro Paulo Pimenta (PT), da Secretaria de Comunicação (Secom), declarou nesta segunda-feira, 9, que aceita com naturalidade a possibilidade de ser substituído no cargo. A declaração ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fazer críticas públicas à comunicação do governo. Para Pimenta, o cargo que ocupa é de confiança, e mudanças são parte do processo.

Se, em determinado momento, o presidente achar que é necessária uma mudança mais aguda, que eventualmente passe pela minha substituição, eu vejo isso com absoluta naturalidade. Ele sabe que poderá contar comigo em qualquer posição, seja no ministério ou em qualquer outra tarefa que ele me designe”, afirmou o ministro, após uma conversa com Lula.

Comparando sua atuação ao de um jogador em um time de futebol, Pimenta admitiu a possibilidade de ficar no “banco de reservas”.Tenho consciência e vejo isso de forma tranquila. O presidente escala a posição de cada um no time, e, se precisar deixar alguém no banco por um tempo, a gente aceita. Fazemos parte do mesmo projeto, e a decisão é de quem tem a maior responsabilidade”, acrescentou.

As críticas de Lula à comunicação do governo ganharam destaque na última sexta-feira, 6, quando ele afirmou que “há um erro na questão da comunicação” e que “correções necessárias” seriam feitas. Desde então, especula-se sobre mudanças na Secom, incluindo a possível substituição de Pimenta pelo publicitário Sidônio Palmeira.

Pimenta elogiou Sidônio e defendeu sua proximidade com o governo. “Sidônio é uma pessoa extremamente qualificada, de confiança do presidente. Também confio muito nele e reconheço sua capacidade. Quanto mais ele estiver perto do presidente, mais poderá ajudar”, afirmou.

Sobre a possibilidade de ser substituído, Pimenta reforçou que mantém boa relação com Lula, sem ressentimentos pelas críticas públicas. “O presidente é autêntico e faz questão de expressar o que pensa. Não me sinto de maneira alguma atingido ou exposto. Não há melindres na relação entre nós”, disse.

Ao ser questionado sobre possíveis falhas à frente da Secom, Pimenta afirmou que aprendeu a importância de usar o presidente como principal comunicador. “Lula é o maior ativo do governo, e a comunicação deve refletir isso”, comentou.

A substituição de Pimenta ainda não foi confirmada, mas aliados do governo apontam que Lula já considera realocar o ministro para outro cargo estratégico. Entre as possibilidades mencionadas estão a liderança do governo na Câmara ou na bancada do PT, ou até mesmo um novo posto, como a Secretaria-Geral da Presidência.

No entanto, essa última posição pode ser destinada ao ministro Alexandre Padilha, das Relações Institucionais, caso ele seja substituído por algum nome ligado ao centrão.

No sábado, 7, o Diretório Nacional do PT aprovou uma resolução cobrando uma reformulação na comunicação do governo. O texto enfatiza que “Lula faz um ótimo governo, que precisa apenas ajustar o modo de comunicar e informar o seu povo”.

As declarações de Pimenta e a movimentação política em torno da Secom ocorrem em um momento de reflexão interna no governo, com foco em alinhar estratégias para melhorar a percepção pública das ações presidenciais.

Foto: Joédson Alves /Agência Brasil

 


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