Após mais de uma semana em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retornou a Brasília nesta quinta-feira (19) e seguiu diretamente de helicóptero para o Palácio da Alvorada. O chefe do Executivo passou por exames no hospital Sírio-Libanês durante a manhã, sendo autorizado pelos médicos a voltar à capital federal. Apesar de estar liberado para despachar, Lula permanece impedido de viajar e realizar exercícios físicos.
O retorno ocorre em um momento crítico para o governo, que enfrenta desafios no Congresso Nacional com a tramitação do pacote fiscal. Enquanto o presidente não tem compromissos oficiais na tarde desta quinta, o mercado financeiro reagiu a uma sequência de medidas econômicas, incluindo intervenções no câmbio realizadas pelo Banco Central.
O dólar apresentou forte queda nesta quinta-feira, após dois leilões promovidos pelo Banco Central (BC), que injetaram mais US$ 8 bilhões no mercado. Os leilões, realizados na modalidade à vista, aumentam a oferta de dólares e contribuem para reduzir a cotação da moeda americana, que havia atingido o recorde de R$ 6,30 nos últimos dias.
Paralelamente, os mercados seguem atentos à tramitação do pacote fiscal do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que busca equilibrar as contas públicas. Na terça-feira, a Câmara aprovou a primeira parte do projeto, mas desidratou algumas medidas na quarta. Entre elas, foi aprovado o bloqueio de até 15% das emendas parlamentares, mas apenas para verbas não impositivas.
A PEC que altera os critérios de concessão do abono salarial e propõe o fim dos supersalários na administração pública foi outro ponto central das discussões no Congresso. Apesar de o plenário da Câmara iniciar a votação na quarta-feira, os trabalhos foram suspensos após o governo enfrentar dificuldades para alcançar o apoio necessário.
Um requerimento inicial relacionado à PEC obteve 294 votos favoráveis, insuficientes para avançar com uma mudança constitucional, que exige ao menos 308 votos. A votação da proposta será retomada ainda nesta quinta-feira.
Com Lula de volta ao Alvorada, as atenções agora se voltam para os próximos passos do governo na aprovação das medidas fiscais e na condução de questões econômicas e políticas fundamentais para o início de 2024.
Foto: Valter Campanato /Agência Brasil

