A cúpula da Câmara dos Deputados considera essencial uma reforma ministerial no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para melhorar a articulação com o Legislativo. Parlamentares apontam que a atual composição da Esplanada dos Ministérios favorece o PT, que ocupa 13 das 38 pastas, em detrimento de partidos do Centrão.
Com 68 deputados na Câmara, o PT detém uma parcela significativa do governo, enquanto legendas como PSD, PP, MDB, Podemos e União Brasil reivindicam maior espaço. Lula já avalia redistribuir cargos ministeriais entre essas siglas, considerando que o PT seria a única “gordura” a ser cortada na atual estrutura do Executivo.
Deputados criticam a falta de energia do presidente para dialogar com lideranças partidárias, destacando que a postura é menos ativa em comparação a seus mandatos anteriores. A condução das negociações sobre o pacote de corte de gastos foi alvo de reclamações, especialmente no que diz respeito a temas sensíveis às políticas do PT, como as mudanças nas regras do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
No Planalto, a reforma ministerial já é vista como inevitável. Há especulações de que Arthur Lira (PP-AL) possa assumir um ministério após deixar a presidência da Câmara, em 2025, embora o próprio negue ter recebido convites.
Lula deve anunciar as trocas ministeriais apenas após o Carnaval, em março, quando a nova composição do Congresso estará consolidada. O cenário político aponta para Hugo Motta (Republicanos-PB) como próximo presidente da Câmara e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) no comando do Senado.
Além disso, há disputa pelo controle das comissões temáticas, o que torna estratégico para o presidente esperar o desenrolar das negociações antes de definir mudanças na Esplanada.
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

