Após as vitórias expressivas da centro-direita nas eleições municipais de 2024, governadores de oposição ao presidente Lula (PT) começam a delinear estratégias para a disputa presidencial de 2026. Com Jair Bolsonaro (PL) inelegível devido a condenações no TSE, nomes como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Ratinho Junior (PSD-PR), Eduardo Leite (PSDB-RS) e Romeu Zema (Novo-MG) despontam como possíveis candidatos ao Palácio do Planalto.

Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, é considerado favorito entre os nomes da oposição. Sua gestão popular, somada à capacidade de transitar entre o bolsonarismo e a direita moderada, fortalece sua posição. Mesmo articulando a reeleição de Ricardo Nunes (MDB) em São Paulo, o governador enfrenta tensões internas com aliados como o PSD de Gilberto Kassab. Embora tenha reafirmado publicamente seu compromisso com a reeleição estadual, o apoio a sua candidatura presidencial é visto como natural pelos partidos de centro-direita.

Os resultados de Tarcísio nas eleições municipais consolidaram sua base de apoio, com aliados elegendo prefeitos em 205 cidades paulistas. No entanto, sua dependência de Bolsonaro para ser ungido como sucessor e as divisões internas em sua base podem ser desafios significativos.

Em Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil) já declarou sua intenção de concorrer à Presidência, independentemente das articulações nacionais. Aos 75 anos, Caiado busca aproveitar o momento para uma possível candidatura, mas enfrenta entraves jurídicos após ser condenado por abuso de poder político na eleição de Goiânia. Apesar disso, o União Brasil se consolidou como força política no estado, vencendo em 95 prefeituras.

No Paraná, Ratinho Junior (PSD) se destaca pelo bom desempenho eleitoral, com 164 prefeituras conquistadas, incluindo Curitiba. Sua agenda de infraestrutura e privatizações reforça sua imagem, mas a candidatura presidencial depende de Kassab decidir lançar um nome próprio pelo PSD. Alinhado a Bolsonaro, Ratinho enfrenta o desafio de equilibrar sua relação com o governo federal e os interesses do partido.

Eduardo Leite (PSDB-RS), que já foi cotado como presidenciável em 2022, mantém sua posição como uma alternativa de centro-direita. No entanto, a perda de protagonismo do PSDB e a necessidade de alianças dificultam uma candidatura própria. No Rio Grande do Sul, sua base política se manteve sólida, com aliados como PP, MDB e PL liderando nas eleições municipais.

Romeu Zema (Novo-MG) tem enfrentado dificuldades para se consolidar como um nome viável para 2026. Apesar de sua aliança com Bolsonaro, Zema perdeu força após a derrota em Belo Horizonte, onde Fuad Noman (PSD) foi reeleito. O governador afirmou que não pretende concorrer à Presidência, mas admite reconsiderar caso haja consenso em torno de seu nome.

A oposição enfrenta o desafio de unir as diversas forças da direita e centro-direita em torno de um único nome. Caso Tarcísio opte por não concorrer, as disputas internas entre os governadores podem fragmentar a base, reduzindo as chances de enfrentar Lula com força suficiente. As articulações devem se intensificar em 2025, com os partidos buscando definir estratégias para a eleição presidencial.

Com a ausência de Bolsonaro como candidato, a construção de um consenso será essencial para evitar dispersão e maximizar as chances de vitória em 2026. O cenário ainda é incerto, mas as movimentações atuais indicam que a oposição trabalha para alinhar projetos e fortalecer suas posições nos próximos dois anos.

Cristiano Machado / Imprensa MG

 


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