O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), protagonizaram um embate nesta quarta-feira (24), durante a cerimônia de oficialização da concessão de um trecho de 300 km da BR-381, conhecida como “rodovia da morte”. O evento, realizado no Palácio do Planalto, contou com a presença de lideranças mineiras, mas foi marcado pela ausência de Zema, criticada pelo ministro.
Renan Filho destacou a importância do momento e lamentou a ausência do governador. “É uma pena que o governador de Minas não esteja aqui, porque nunca nenhum governo deu tanta atenção a Minas Gerais quanto o presidente Lula. Vi o governador cobrando investimentos no governo passado, mas não o vejo aqui neste momento. Parece que a cobrança é mais política do que pela obra. Isso apequena o gestor público”, declarou o ministro.
Romeu Zema, por sua vez, respondeu às críticas por meio das redes sociais, afirmando não ter tempo para “eventos burocráticos”. “Lula, o PT prometeu essa mesma obra nos 188 meses de governo, mas não entregou. Quando for colocar máquinas na pista, fiscalizar ou inaugurar trechos da obra, estarei à disposição. Meu foco é trabalhar, não perder tempo com eventos burocráticos”, escreveu o governador em seu perfil no X.
A cerimônia contou com a assinatura do contrato de concessão pelo presidente Lula, que estava acompanhado de lideranças como o prefeito em exercício de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), elogiado por Renan Filho pela presença no evento.
Ainda durante o evento, o presidente Lula criticou Zema por sua resistência em relação aos vetos no Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). O presidente destacou que o acordo buscava beneficiar Minas Gerais e outros estados, e afirmou: “Para dizer a palavra ‘obrigado’, é preciso grandeza, caráter e humildade. Esse acordo das dívidas deveria fazer o governador vir aqui me entregar um troféu de reconhecimento como o primeiro presidente que ele conhece que nunca vetou nada por razões políticas.”
Em recente entrevista ao O Globo, Zema lamentou os vetos, afirmando que trechos do programa foram prejudiciais para Minas Gerais. Ele mencionou que o esforço de mais de um ano, liderado por governadores como Cláudio Castro (RJ), foi “jogado na lata de lixo”.
O embate reflete as tensões crescentes entre o governo federal e o estado de Minas Gerais, em um momento em que obras e programas de relevância nacional ganham atenção no cenário político.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

