O novo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, anunciou uma série de medidas para fortalecer a comunicação do governo em 2025, com foco em ampliar a aprovação popular e combater o impacto de fake news, como o caso recente envolvendo a suposta taxação do Pix. Durante a primeira reunião ministerial do ano, realizada na segunda-feira (20), Sidônio detalhou seus planos, incluindo visitas aos ministérios para identificar ações e programas prioritários que possam ser divulgados de forma mais eficaz.
Sidônio explicou que vai acompanhar o andamento das licitações na área de comunicação em curso na Esplanada, com o objetivo de otimizar processos e garantir que as campanhas publicitárias sejam implementadas de forma eficiente. Ele também solicitou aos ministros que indiquem cerca de quatro programas prioritários por pasta, visando alinhar a estratégia de divulgação e ampliar o alcance das iniciativas governamentais.
Um sistema já existente no governo, que registra as ações de comunicação, será utilizado para centralizar informações. No entanto, Sidônio destacou a necessidade de um acompanhamento mais próximo para garantir que a linguagem de comunicação seja uniforme e alinhada entre os ministérios. Ele também avisou que a Secom supervisionará os processos de licitação publicitária, assegurando que saiam do papel em tempo hábil para fortalecer a imagem do governo.
Entre as estratégias apresentadas, Sidônio sugeriu aos ministros que comparem as ações do governo Lula às do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), destacando os avanços obtidos desde o início do atual mandato. Ele argumentou que essa abordagem ajudará a criar uma narrativa de “reconstrução” do país, evidenciando os progressos realizados.
O presidente Lula justificou a troca do ex-ministro Paulo Pimenta por Sidônio Palmeira ao admitir que a comunicação foi um ponto fraco nos dois primeiros anos de seu terceiro mandato. Lula destacou o trabalho de Pimenta contra a Operação Lava Jato, mas reconheceu dificuldades na divulgação das realizações do governo.
Sidônio, por sua vez, apontou falhas no alinhamento entre política, gestão e comunicação, afirmando que esses três pilares estavam operando em “rotações diferentes”. Ele prometeu trazer o presidente mais ao primeiro plano, com um maior número de entrevistas e aparições públicas, enquanto pediu aos ministros que evitem declarações off-the-record, prática que dificulta a transparência das informações.
O ministro também mencionou a criação de uma central de monitoramento e resposta rápida a crises no Palácio do Planalto, sem fazer menção direta ao episódio do Pix. A ideia é fortalecer a capacidade do governo de reagir a desinformações de maneira ágil e coordenada.
Durante o encontro, Lula destacou que a campanha eleitoral de 2026 já começou e alertou sua equipe sobre a necessidade de impedir que o país seja entregue novamente ao que chamou de “neonazismo”, em referência ao governo Bolsonaro. Ele também abordou a possibilidade de não concorrer à reeleição em 2026, citando episódios recentes, como uma pane no avião presidencial e um acidente doméstico. Apesar disso, Lula reforçou a importância de preparar um sucessor para garantir a continuidade de seu projeto político.
Ao mencionar o ex-presidente americano Joe Biden, Lula sugeriu que o atraso de Biden em desistir da reeleição pode ter prejudicado o resultado das eleições nos Estados Unidos. Ele destacou que decisões estratégicas são fundamentais para definir o futuro político, insinuando que um sucessor poderia surgir entre os ministros presentes na reunião, seja para 2026 ou para 2030.
Na avaliação de aliados, a fala de Lula serviu como um estímulo à equipe ministerial, sugerindo que os próximos líderes políticos do país poderiam emergir das fileiras do atual governo. Sidônio Palmeira, por sua vez, comprometeu-se a implementar as mudanças em até 90 dias, garantindo que a comunicação do governo se torne mais eficiente e alcance de forma clara a população, enquanto reforça os avanços realizados até agora.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

