Hugo Motta (Republicanos-PB) foi eleito neste sábado (1º) como presidente da Câmara dos Deputados, obtendo 444 votos entre os 500 parlamentares presentes. Aos 35 anos, Motta se torna o deputado mais jovem a assumir o comando da Casa e o segundo presidente da Câmara mais votado da história, ficando atrás apenas de seu antecessor e padrinho político, Arthur Lira (PP-AL), que em 2023 recebeu 464 votos.

Na disputa, o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) ficou em segundo lugar com 31 votos, seguido pelo deputado Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ), que obteve 22 votos. Também foram registrados dois votos em branco e um parlamentar que, apesar de estar presente, não votou.

Com apoio de Lira, Motta articulou sua candidatura em torno da unidade e da independência do Legislativo. Ele conseguiu formar alianças entre partidos de espectros ideológicos distintos, reunindo tanto o PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quanto o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O apoio maciço à candidatura de Motta foi consolidado após a retirada de nomes que inicialmente despontavam na disputa, como Isnaldo Bulhões (MDB-AL), Elmar Nascimento (União Brasil-BA) e Antônio Brito (PSD-BA). Com a desistência desses candidatos, ele se tornou a opção viável para a maioria das bancadas.

Em seu discurso antes da votação, Motta defendeu a autonomia do Legislativo e destacou a importância da imunidade parlamentar. “Nosso compromisso é fortalecer institucionalmente a Câmara, assegurando sua independência diante dos demais Poderes. A harmonia democrática se constrói com o equilíbrio entre as instituições”, afirmou.

A declaração do novo presidente da Câmara também buscou acalmar setores do PL, partido que frequentemente critica o que considera um enfraquecimento do Legislativo frente ao Supremo Tribunal Federal (STF). O posicionamento de Motta foi interpretado como uma tentativa de conciliação com os parlamentares dessa ala.

Motta também prometeu maior previsibilidade na agenda de votações da Câmara, evitando os problemas enfrentados durante a gestão de Arthur Lira, quando sessões eram frequentemente iniciadas tardiamente e as pautas legislativas eram definidas de última hora. “Nosso objetivo é garantir uma agenda clara e estruturada, restabelecendo as sessões no início da tarde e evitando alterações abruptas na pauta”, declarou Motta.

Com uma carreira política iniciada aos 21 anos, Hugo Motta foi eleito deputado federal pelo MDB e posteriormente migrou para o Republicanos em 2019. Ele liderou a sigla na Câmara a partir de 2020 e construiu um perfil de articulador dentro da Casa.

Motta ganhou notoriedade nacional ao presidir a CPI da Petrobras, estabelecida para investigar irregularidades em contratos da estatal durante a gestão de Eduardo Cunha na Câmara. Com a eleição para a presidência da Casa, ele deixará a liderança do Republicanos, e seu substituto na bancada deve ser o deputado mineiro Gilberto Abramo.

Inicialmente, Motta não figurava entre os nomes mais cotados para a presidência da Câmara. Os principais postulantes eram Antônio Brito, Elmar Nascimento e Marcos Pereira (Republicanos-SP). No entanto, a desistência de Pereira abriu espaço para a ascensão do paraibano, que foi visto como um nome capaz de construir consensos e manter o equilíbrio entre diferentes bancadas.

Com a adesão progressiva de apoios à candidatura de Motta, Brito e Elmar também optaram por sair da disputa, consolidando-o como o nome de consenso para liderar a Câmara nos próximos anos.

 

Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados