O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) manifestou apoio ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), neste sábado (8), e voltou a defender a anistia dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Em mensagem a aliados, Bolsonaro classificou a medida como uma questão humanitária e destacou a recente declaração de Motta, que negou a existência de uma tentativa de golpe de Estado.
“Que Deus continue iluminando nosso presidente Hugo Motta, bem como pais e mães voltem a abraçar seus filhos brevemente. Essa anistia não é política, é humanitária“, escreveu Bolsonaro.
A defesa da anistia como questão humanitária contrasta com declarações anteriores do ex-presidente sobre direitos humanos. Em 2017, seu filho, Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), divulgou uma foto na qual Bolsonaro segurava uma camiseta com a frase “direitos humanos: esterco da vagabundagem”. Durante seu governo, Bolsonaro e seus apoiadores frequentemente associaram os direitos humanos à impunidade e à esquerda, ao mesmo tempo em que defendiam punições mais rígidas para criminosos.
Reportagem da Folha revelou que o projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados para conceder anistia aos condenados pelo 8 de janeiro está vinculado a outras propostas mais amplas, que poderiam beneficiar o próprio Bolsonaro. O ex-presidente foi condenado e declarado inelegível por oito anos pela Justiça Eleitoral.
Na sexta-feira (7), Hugo Motta concedeu entrevista a uma rádio paraibana, onde afirmou que os atos de 8 de janeiro foram “uma agressão inimaginável” às instituições, mas negou que se tratasse de um golpe. “O que aconteceu não pode ser admitido que aconteça novamente. Foi uma agressão às instituições, uma agressão inimaginável, ninguém imaginava que aquilo pudesse acontecer”, disse.
Motta reforçou sua posição ao afirmar que um golpe de Estado pressupõe a existência de uma liderança clara e o apoio de outras instituições, como as Forças Armadas, o que, segundo ele, não ocorreu.
Aliados do presidente Lula (PT) criticaram a postura de Motta. Antes de ser eleito presidente da Câmara no dia 1º de fevereiro, com 444 votos entre os 513 deputados, Motta evitou conceder entrevistas ou se posicionar publicamente sobre a anistia, buscando manter equilíbrio entre o PT e o PL, as duas maiores bancadas da Casa.
Foto Lula Marques/ Agência Brasil

