Seis anos após o rompimento das barragens em Brumadinho, a recuperação do Rio Paraopeba segue em andamento, com avanços significativos, mas ainda enfrentando desafios. O Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Minas Gerais (Sisema) divulgou um relatório detalhando as principais ações realizadas em 2024 para restaurar a bacia do rio e apoiar as comunidades afetadas.

Entre os destaques do período está a recuperação das primeiras áreas atingidas pela passagem dos rejeitos, incluindo as regiões conhecidas como Remanso 1B e Braço Sul/Remanso 1A. Essas áreas, que abrangem 3,95 e 0,49 hectares, respectivamente, foram completamente restauradas, passando pela reconformação do terreno, plantio de espécies nativas e monitoramento contínuo.

Outra iniciativa relevante foi a intensificação da dragagem do Rio Paraopeba, que em 2024 removeu 43 mil m³ de rejeitos, mais que o dobro do registrado no ano anterior. Além disso, testes de dragagem mecanizada foram iniciados para otimizar o processo de remoção e acelerar a recuperação da bacia hidrográfica.

A participação das comunidades tem sido uma prioridade. Reuniões públicas realizadas em novembro de 2024, em localidades como Alberto Flores, Córrego do Feijão e Tejuco, permitiram que moradores conhecessem o Projeto Conceitual de Recuperação Socioambiental da Bacia do Ribeirão Ferro-Carvão e parte do Ribeirão Casa Branca. Durante esses encontros, as comunidades puderam expressar expectativas e contribuir para a construção do Plano Diretor Ambiental, que estabelecerá diretrizes para a destinação das áreas afetadas e a criação do Parque Municipal Ferro-Carvão.

No âmbito da compensação socioambiental, mais de R$ 1,5 bilhão foi destinado a projetos de fortalecimento da fiscalização ambiental, aprimoramento do monitoramento de barragens e implementação de programas de educação ambiental. Esses recursos também apoiam melhorias na infraestrutura hídrica da região.

Além disso, um Termo de Compromisso assinado em julho de 2024 transferiu a execução de obras de saneamento básico para os municípios, com suporte técnico e financeiro. Até janeiro de 2025, 17 dos 26 municípios beneficiados já haviam firmado contratos para a implementação dessas melhorias, essenciais para a recuperação das condições ambientais da região.

O cronograma de recuperação prevê ações contínuas até 2026, incluindo a restauração de áreas de vegetação nativa, recuperação de nascentes e revitalização das calhas dos rios. O manejo dos rejeitos também continuará sendo aperfeiçoado, com a meta de remover 12,4 milhões de m³ até 2030.

Apesar dos avanços, os desafios permanecem. A complexidade do processo exige monitoramento constante, ajustes técnicos e a manutenção do diálogo com as comunidades afetadas. A colaboração entre órgãos ambientais, governo e sociedade é fundamental para assegurar a efetividade das ações e garantir a restauração plena da bacia do Rio Paraopeba.

Foto: Divulgação/Sisema


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