A defesa de mudanças na Lei da Ficha Limpa pelo ex-presidente Jair Bolsonaro gerou forte reação negativa na internet. A grande maioria dos brasileiros vê a legislação como uma conquista fundamental, que não deve ser flexibilizada ou revogada.

Um levantamento da AP Exata – Inteligência Digital analisou 40 mil publicações no X contendo o termo “ficha limpa” nos primeiros nove dias de fevereiro. Os resultados indicam que 80,3% dos usuários se manifestaram favoráveis à manutenção da lei como está, demonstrando resistência a qualquer alteração. Esses dados evidenciam a rejeição da população a retrocessos na busca por uma política mais ética e transparente.

As manifestações nas redes sociais mostram que Bolsonaro e seus aliados, ao criticarem a Lei da Ficha Limpa, são vistos como políticos que priorizam seus interesses em detrimento da população. Muitos internautas os acusam de tentarem abrir caminho para a impunidade de políticos condenados. Além disso, há relatos de decepção entre apoiadores do ex-presidente.

Mesmo entre os conservadores que criticam o Judiciário, há um consenso de que o problema não está na lei, mas em sua aplicação. Para esse grupo, a questão central é a necessidade de um Judiciário mais isento e imparcial. Ainda assim, eles veem a Lei da Ficha Limpa como um avanço na legislação brasileira.

Diversos internautas lembram que a criação da lei foi resultado de uma mobilização popular histórica, com mais de 1,6 milhão de assinaturas coletadas para viabilizar sua apresentação no Congresso. A legislação impede a candidatura de políticos condenados por crimes como corrupção, abuso de poder econômico ou político, formação de quadrilha, tráfico de drogas e estupro, entre outros. A inelegibilidade é aplicada por um período de oito anos para aqueles condenados por um órgão colegiado, como Tribunais de Segunda Instância.

Bolsonaro, ao alegar que o tempo de inelegibilidade é excessivo e que a lei tem sido utilizada para perseguir a direita, acaba sendo visto como alguém que busca instrumentalizar a legislação. Esse argumento se choca justamente com a principal crítica feita ao Judiciário, e muitos lembram que a Ficha Limpa já impediu a candidatura de Lula em 2018. Agora, bolsonaristas são acusados de incoerência ao questionarem a legislação.

O custo político de defender a flexibilização ou revogação da Ficha Limpa é alto. A politização crescente da população na última década reforça o risco de desgaste para qualquer político que tente mexer na legislação.

Apesar da polarização que domina o cenário político, um ponto de consenso entre eleitores de direita e esquerda é a necessidade de manter a Ficha Limpa. De modo geral, ambos os espectros compreendem que a corrupção não pode ser relativizada em nome de interesses políticos e do poder.

Foto: Valter Campanato /Agência Brasil

 


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