O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (10) que o papel do tesoureiro é “sempre dizer não”, enquanto a função dos gestores é lutar por mais investimentos. A declaração foi feita durante a cerimônia de entrega do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, promovida pelo Ministério da Educação (MEC).
“Eu falava com o [Fernando] Haddad e falo com o Camilo [Santana]: Toda vez que a gente quer fazer uma coisa a mais, alguém diz: ‘não tem dinheiro’. O que é normal, isso tem em sindicato, time de futebol. O papel do tesoureiro é sempre dizer não, e do outro lado sempre tentar mais”, afirmou Lula.
Durante o evento, o presidente também elogiou o desempenho de Fernando Haddad, que atualmente ocupa o cargo de ministro da Fazenda, mas que foi ministro da Educação em sua gestão anterior. Lula incentivou o atual chefe do MEC, Camilo Santana, a superar a marca de Haddad.
“Eu falei para ele [Camilo]: olha, o Haddad foi o melhor ministro da Educação desse país. A tua tarefa agora é colocar o Haddad em segundo lugar e você passar a ser o primeiro. Por isso, você vai ter que fazer mais, trabalhar mais“, disse Lula.
O selo concedido na cerimônia reconhece estados e municípios pelo desempenho em ações voltadas à alfabetização infantil. A iniciativa faz parte do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, lançado pelo MEC em 2023, com o objetivo de garantir que todas as crianças brasileiras estejam alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental, conforme previsto no Plano Nacional de Educação.
A cerimônia, realizada no Centro Internacional de Convenções do Brasil, em Brasília, premiou municípios que alcançaram a medalha ouro e estados condecorados com as categorias ouro, prata e bronze. O evento faz parte da estratégia do governo para estreitar laços com administrações municipais após o PT ter sido derrotado em cidades estratégicas nas eleições municipais.
Para avaliar as ações dos estados e municípios, o MEC instituiu uma comissão responsável pela análise dos programas educacionais e pelo processo de classificação. Foram estabelecidos 21 parâmetros para estados e o Distrito Federal, enquanto para os municípios, 20. Esses critérios foram organizados em cinco dimensões: ações de integração, institucionalização da política de alfabetização no território, implementação da política de alfabetização, formação docente e distribuição de material didático.
O ministro da Educação, Camilo Santana, parabenizou os governadores e prefeitos que aderiram à iniciativa e ressaltou a importância do compromisso conjunto para melhorar a alfabetização no país.
Lula aproveitou o evento para criticar a realidade em que gestores públicos elogiam a educação pública de suas regiões, mas matriculam seus filhos em escolas privadas. Para o presidente, a volta da classe média para o ensino público é essencial para melhorar a qualidade das instituições.
“Esse país só vai dar certo no dia que a classe média voltar para a escola pública. E só vai voltar quando ela melhorar”, declarou Lula. “A gente quer contribuição dos prefeitos. Nós não vamos fazer sozinhos. Queremos que cada prefeito assuma a responsabilidade de oferecer o melhor ensino possível. A mesma educação que ele quer para o filho dele, e muitas vezes o filho dele não estuda na escola pública do seu município, mas sim em uma escola particular. Muitas vezes é assim. Você chega em uma cidade e pergunta: ‘Prefeito, como está a educação?’ ‘Ah, está maravilhosa’.”
O evento contou com a participação de diversos ministros do governo, incluindo Juscelino Filho (Comunicações), Macaé Evaristo (Direitos Humanos), Anielle Franco (Igualdade Racial), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia) e Marina Silva (Meio Ambiente), além de outras autoridades.
A cerimônia reforçou o compromisso do governo federal com a alfabetização infantil e o fortalecimento da educação pública, destacando a importância do envolvimento de estados e municípios para alcançar a meta de alfabetizar todas as crianças brasileiras até o fim do 2º ano do ensino fundamental.
Foto: Ricardo Stuck

