Os cálculos políticos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a composição do Senado em 2026 podem impactar a escolha do próximo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Entre os nomes cotados para a vaga do Ministério Público, destacam-se a procuradora Maria Marluce Caldas, de Alagoas, e o procurador de Justiça Sammy Barbosa, do Acre.

A nomeação de Marluce Caldas pode ser favorecida pela influência política de seu sobrinho, João Henrique Caldas (JHC), prefeito de Maceió e possível candidato ao governo de Alagoas. JHC, aliado de Arthur Lira (PP-AL), poderia oferecer palanque para Lula, fortalecendo sua base eleitoral no estado.

Lula busca um entendimento entre os caciques políticos Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira, adversários históricos em Alagoas. Uma composição favorável poderia garantir a participação de Calheiros em uma chapa governista e a indicação de Marluce ao STJ. Em outro cenário, JHC permaneceria na prefeitura, e o grupo de Lula apoiaria o sucessor do governador Paulo Dantas, incluindo Renan Calheiros como candidato ao Senado.

Marluce Caldas conquistou apoio de petistas próximos ao presidente e buscou respaldo no Supremo Tribunal Federal, conversando com ministros indicados por Lula, como Cristiano Zanin.

A preocupação com o Senado em 2026 é estratégica, pois dois terços das cadeiras estarão em disputa. O PT teme uma onda bolsonarista na Casa, especialmente em Alagoas, único estado do Nordeste onde Jair Bolsonaro venceu em 2022. O ex-presidente já articula estratégias para ampliar a presença do PL no Senado.

O Planalto avalia que, se a direita conquistar metade das 54 cadeiras em disputa, alcançará maioria no Senado a partir de 2027. Atualmente, a base do governo conta com 39 senadores, 29 são de oposição e 13 estão indefinidos. As maiores mudanças ocorrerão entre os aliados do governo, o que aumenta a preocupação com as composições eleitorais.

A disputa por duas vagas no STJ também se aproxima do desfecho. O presidente deve anunciar suas indicações em março, em meio à pressão de setores do Judiciário para que escolha ao menos uma mulher. As listas tríplices com os indicados foram encaminhadas ao Planalto em outubro, mas Lula decidiu adiar a escolha para 2025, avaliando cuidadosamente suas opções.

Nenhum dos indicados tem relação direta com o presidente, o que levou Lula a buscar referências em aliados. Entre os indicados à vaga destinada à Justiça Federal, Carlos Brandão, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), desponta como favorito. Ele tem o apoio de figuras como Nunes Marques, do STF, e de aliados próximos do presidente, como o ministro Wellington Dias e o governador do Piauí, Rafael Fonteles.

Brandão disputa a nomeação com as desembargadoras Daniele Maranhão, do TRF-1, e Marisa Santos, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3). A decisão de Lula pode ser influenciada pelo contexto político do Senado, onde a governabilidade de seu terceiro mandato depende de articulações bem estruturadas para enfrentar uma oposição crescente.

Foto: Carlos Felippe/STJ

 

 


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