Em um contexto de crescente violação dos direitos das populações atingidas por barragens no Brasil, um evento importante ocorrerá em Ipatinga, Minas Gerais, entre os dias 21 e 23 de fevereiro. A Oficina Estadual de Coletivos de Saúde, realizada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), será um espaço de formação e diálogo sobre a saúde das comunidades atingidas, buscando promover o direito a um território saudável e sustentável.
Este evento, que será para os atingidos e atingidas que compõem os coletivos regionais de saúde do movimento, visa discutir temas essenciais, como a determinação social da saúde e o papel da vigilância popular em saúde nas comunidades afetadas, além de explorar a importância de políticas públicas adequadas para a promoção de saúde em territórios atingidos por barragens e empreendimentos minerários.
Entre os principais tópicos abordados na programação, destacam-se a importância da organicidade nos coletivos de saúde, a construção de estratégias coletivas e a análise das violações de direitos nas regiões afetadas, como o aumento de doenças físicas e mentais provocadas pelos desastres e pela falta de acesso a condições mínimas de saúde e saneamento.
Os participantes também irão refletir sobre os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e discutir o impacto da mineração e da energia nas populações atingidas, com foco em uma abordagem integrada entre saberes científicos e populares para a criação de soluções sustentáveis.
De acordo com a Fiocruz, as tragédias-crime como as de Mariana e Brumadinho evidenciam a urgência de políticas públicas mais eficazes que considerem os impactos sociais, ambientais e de saúde causados por essas grandes obras. O objetivo da parceria com o MAB é precisamente fomentar a formação de lideranças locais, que se tornam protagonistas na criação de estratégias que ajudem a reduzir os danos à saúde e a promover soluções sustentáveis e justas.
Sobre o MAB:
O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) é uma organização nacional que atua desde a década de 1980 em defesa dos direitos das populações afetadas pela construção de barragens hidrelétricas no Brasil. O movimento tem como missão promover a justiça socioambiental, defendendo não apenas a reparação dos danos causados, mas também a promoção de políticas públicas que assegurem os direitos das pessoas ao território onde vivem. As barragens no Brasil já geraram mais de 1,5 milhão de pessoas atingidas, com danos ambientais e de saúde que podem durar por gerações.
Informações
Projeto: “Saúde e Direitos Humanos: a formação do coletivo de saúde das populações atingidas por barragens na promoção do direito a um território sustentável e saudável”.
Data: Entre 21 e 23 de Fevereiro.
Local: Ipatinga, Minas Gerais.
Evento fechado
Crédito foto: Nívea Magno/MAB

