O grupo Hamas informou que libertará os seis reféns vivos restantes durante a primeira fase do cessar-fogo neste sábado, segundo o jornal israelense Haaretz. O acordo original previa a soltura de três reféns no sábado e mais três na semana seguinte, encerrando esta etapa do cessar-fogo em 2 de março. Além disso, os corpos de quatro reféns serão entregues nesta quinta-feira.
Autoridades israelenses conduzem negociações indiretas com o Hamas para garantir a liberação dos reféns sem entraves adicionais. O objetivo é impedir que os sequestrados sejam utilizados como moeda de troca pela organização palestina. O grupo também busca alinhamento com o apelo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela libertação antecipada de todos os reféns.
Uma fonte israelense revelou ao Haaretz que o Hamas pode aceitar a proposta, dependendo de entendimentos entre as partes. Entretanto, declarações do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e de alguns ministros contrários à segunda fase do cessar-fogo poderiam comprometer o andamento do processo.
Para pressionar o Hamas a cumprir o acordo, Israel está disposto a permitir a entrada de maquinário pesado e estruturas móveis na Faixa de Gaza, conforme previsto no tratado. Outra estratégia envolve a libertação de prisioneiros recapturados após o acordo de 2011 para a soltura do soldado israelense Gilad Shalit.
Nesta terça-feira, um oficial israelense afirmou que Israel está pronto para liberar 60 mil estruturas móveis e 200 mil tendas na Faixa de Gaza. O governo israelense destacou que a decisão foi coordenada com os Estados Unidos e que o atraso na implementação não configura violação do acordo.
Enquanto isso, uma delegação israelense foi enviada ao Cairo para discutir a execução da primeira fase do acordo. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, declarou que as negociações sobre a segunda fase começarão esta semana. Ele ressaltou que Israel exige a desmilitarização total da Faixa de Gaza, rejeitando qualquer cenário que permita grupos armados na região.
Ao mesmo tempo, a Liga Árabe articula um plano para o futuro de Gaza, em oposição à proposta dos Estados Unidos de reconstruir a região sob sua supervisão. Desde que assumiu o cargo, o presidente americano tem sugerido realocar os moradores de Gaza para o Egito e a Jordânia.
O governo israelense busca prolongar a primeira fase da trégua para garantir a libertação de mais reféns. Recentemente, negociações bem-sucedidas levaram à soltura de Arbel Yehoud, Agam Berger e Gadi Moses, aumentando as esperanças de novas liberações.
Até o momento, seis reféns vivos serão libertados nesta fase: quatro sequestrados em 7 de outubro de 2023, durante o ataque do Hamas a Israel, além de Abera Mengistu e Hisham al-Sayed, mantidos em Gaza há mais de uma década. No entanto, ainda há 59 reféns em cativeiro, sendo que 35 foram confirmados como mortos e não estão incluídos na atual fase de liberação.
Foto: Eyad Baba

