A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, oficializará sua filiação ao PSD no dia 10 de março, em uma cerimônia em Recife. O evento ocorrerá às 19h e deve reunir lideranças nacionais do partido. A decisão de Raquel foi confirmada por articuladores do PSD e do Palácio das Princesas, sede do governo estadual. Além da filiação, a governadora assumirá a presidência do diretório estadual do PSD, comandado nacionalmente por Gilberto Kassab.

Raquel comunicou sua decisão a Kassab na segunda-feira pela manhã, no mesmo momento em que seus aliados tomaram conhecimento da mudança. O MDB também tentou atrair a governadora, mas ela optou pelo PSD. A possibilidade de sua adesão ao partido já era discutida desde o ano passado, mas ficou em espera enquanto o PSDB analisava uma fusão com o PSD. O deputado federal Aécio Neves, que busca o Senado por Minas Gerais, foi um dos principais opositores da fusão, temendo impactos em suas articulações políticas no estado.

Na semana passada, Marconi Perillo, presidente nacional do PSDB, descartou a fusão com o PSD ou o MDB, preferindo negociações com Podemos e Solidariedade. No entanto, essas alternativas não atendiam ao objetivo de Raquel Lyra de estreitar laços com o governo federal.

O desgaste do PSDB em nível nacional influenciou sua saída. Embora o partido tenha conquistado 32 prefeituras em Pernambuco, enfrenta dificuldades na esfera federal. No PSD, Raquel terá acesso a mais recursos partidários, fundamentais para sua tentativa de reeleição em 2026. O PSD também garante maior tempo de propaganda eleitoral na televisão, fator crucial para enfrentar um eventual embate com o prefeito de Recife, João Campos (PSB), nas próximas eleições.

A movimentação de Raquel Lyra para o PSD gera uma situação desafiadora para o governo Lula. O partido integra a base governista, tornando mais delicado um apoio explícito a Campos. Nos últimos meses, a governadora reforçou sua aproximação com o Planalto, especialmente com o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). No estado, o PT está dividido: a ala estadual apoia Lyra, enquanto a municipal está alinhada a Campos. Outro aliado da governadora no PSD é o ministro da Pesca, André de Paula, cotado para assumir a pasta do Turismo.

Outro fator relevante para a mudança de partido é a postura oposicionista do PSDB ao governo federal. Em março de 2023, Raquel já defendia um alinhamento da legenda com Lula. Pernambuco, onde o presidente teve 66,9% dos votos no segundo turno de 2022, é um dos estados onde essa aliança pode ser decisiva. Naquela eleição, Raquel adotou neutralidade no segundo turno.

Nos bastidores, a governadora já vinha se aproximando do PSD há meses. Seu ex-secretário Daniel Coelho foi filiado à sigla e hoje preside o diretório municipal do partido em Recife. Embora tenha sido derrotado nas eleições municipais, o PSD obteve uma vitória expressiva para Raquel com a eleição de Mirella Almeida em Olinda. Esse resultado representou um revés para João Campos, que apoiava o petista Vinicius Castello no município vizinho à capital.

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

 


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