Denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF) sob a acusação de liderar uma tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira (25) que considera provável sua condenação e classificou a Primeira Turma da corte, responsável por seu caso, como “câmara de gás”.
“Se você analisar uma turma com a outra, essa turma que eu estou tem um apelido, né? Câmara de gás. Entrou ali…”, disse Bolsonaro em entrevista ao jornalista Leo Dias. Questionado sobre a origem do apelido, ele respondeu: “É o que a gente ouve falar por aí”.
A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Bolsonaro será analisada pela Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Luiz Fux. Os dois ministros indicados pelo ex-presidente, Kassio Nunes Marques e André Mendonça, integram a Segunda Turma do tribunal.
Bolsonaro afirmou manter contato com quatro dos 11 ministros do STF e disse que, caso seja condenado por todos os crimes imputados, pode morrer na prisão. “Quarenta anos, não. Morrer na cadeia. Eu não vou viver mais [do que isso]“, declarou. Acrescentou ainda que sua prisão geraria “comoção nacional” e que “para algumas pessoas importantes, não interessa eu preso, interessa eu morto”.
Durante a entrevista, o ex-presidente voltou a minimizar sua participação nos atos de 8 de janeiro e rejeitou as acusações de tentativa de golpe. Também defendeu seu ex-ajudante de ordens, Mauro Cid, cuja delação premiada foi homologada pelo STF. Bolsonaro alegou que Cid teria sido “psicologicamente torturado” pelo ministro Alexandre de Moraes, com ameaças de prisão e revogação do acordo caso não colaborasse.
“Na Lava Jato, um comportamento muito mais ameno do que esse serviu para anular a operação”, afirmou Bolsonaro. “No meu caso tem dez vezes mais nulidades”. Ele negou estar defendendo Cid, mas disse que não o atacaria. “Cid era o muro das lamentações, todo mundo ligava para ele. Acho que ele se empolgou com essa missão, tinha excesso de iniciativa e queria resolver sem consultar, mas foi de boa fé”, declarou.
O ex-presidente também minimizou áudios extraídos dos celulares dos acusados de participação na suposta trama golpista. Em uma das gravações, o general da reserva Mario Fernandes, ex-chefe dos “kids pretos” do Exército, afirma que “o decreto é real e foi despachado ontem com o presidente” e pede “movimento“. Bolsonaro questionou: “Tem algum áudio comigo?” e alegou que hipóteses como estado de sítio foram discutidas, mas que nenhuma chegou à fase de convocação de conselhos.
A PGR denunciou Bolsonaro no último dia 19 pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito e golpe de Estado, dano qualificado por violência e grave ameaça contra patrimônio da União, deterioração de patrimônio tombado e participação em organização criminosa. Caso seja condenado pelas acusações, poderá enfrentar até 43 anos de prisão, além de ficar inelegível por um período superior aos oito anos já impostos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

