Uma delegação israelense reunida no Cairo tenta estender a primeira fase do cessar-fogo em Gaza por mais quarenta e dois dias, segundo fontes do Hamas e da segurança egípcia. Enquanto isso, o Hamas pressiona a comunidade internacional para garantir que Israel avance imediatamente para a segunda fase do acordo, reafirmando seu compromisso com a trégua estabelecida há um mês e meio.

Representantes de Israel, Catar e Estados Unidos estão no Cairo para negociações intensivas sobre a continuidade do acordo, mediadas pelo Egito. A primeira fase da trégua está programada para encerrar no sábado, enquanto o segundo estágio prevê medidas que levem ao fim definitivo do conflito.

Fontes do Hamas alertam que, se Israel insistir em prolongar a fase inicial, onde reféns são trocados por prisioneiros, o grupo perderá sua principal moeda de negociação. Segundo essas fontes, qualquer novo acordo precisaria garantir a libertação de reféns doentes ou mortos, além de melhorias para prisioneiros palestinos e maior fluxo de ajuda humanitária para Gaza.

Taher al-Nunu, oficial sênior do Hamas, afirmou que a resistência israelense em avançar para a segunda fase impede até mesmo a extensão do primeiro estágio. Já Abdel Latif al-Qanua, porta-voz do Hamas, disse que o grupo está aberto a negociações que melhorem a situação dos civis e promovam a reconstrução de Gaza, mas exige o fim da guerra e a retirada total das forças israelenses.

Israel, por sua vez, quer focar exclusivamente na troca de reféns por prisioneiros palestinos, evitando discussões sobre o término do conflito ou a saída do Hamas do controle de Gaza. O país busca resgatar o máximo de reféns possíveis, vivos ou mortos, sem comprometer sua posição militar na região.

O Hamas considera que uma possível extensão da trégua até o fim do Ramadã poderia permitir mais assistência humanitária e a libertação de prisioneiros palestinos de alto perfil. No entanto, há divergências quanto aos critérios para as trocas.

O cessar-fogo foi alcançado após meses de negociações e interrompeu a guerra que começou em sete de outubro de dois mil e vinte e três, quando combatentes do Hamas atacaram Israel, matando mil duzentas e dezoito pessoas, a maioria civis, e capturando reféns. Em resposta, Israel lançou ofensivas que resultaram na morte de mais de quarenta e oito mil pessoas em Gaza, segundo o Ministério da Saúde do território.

Um relatório interno do Exército de Israel divulgado na quinta-feira reconheceu falhas na segurança que permitiram o ataque do Hamas em outubro. “Foi um fracasso total dos militares em evitar a tragédia”, disse um oficial sob anonimato. O chefe militar de Israel, general Herzi Halevi, assumiu a responsabilidade pelo ocorrido.

Enquanto isso, em Tel Aviv, uma multidão se reuniu para o funeral de Tsachi Idan, refém israelense de quarenta e nove anos, cujo corpo foi recuperado em Gaza. Autoridades israelenses alegam que ele foi assassinado durante o cativeiro. “Até o último momento, esperávamos que ele voltasse com vida”, disse um amigo de Idan.

Na última troca de reféns e prisioneiros, Israel libertou seiscentos e quarenta e três palestinos após a devolução dos corpos de quatro reféns pelo Hamas. Entre os libertados estava Nael Barghouti, prisioneiro palestino detido por mais de quatro décadas. Muitos dos libertados necessitavam de cuidados médicos após anos de encarceramento.

O Hamas tem usado as trocas para negociar melhorias nas condições dos prisioneiros palestinos e garantir assistência humanitária. “Estávamos no inferno e conseguimos sair“, afirmou Yahya Shraideh, um dos detentos libertados.

Até agora, o Hamas libertou vinte e cinco reféns vivos e devolveu os corpos de oito outros. Israel, por sua vez, comprometeu-se a libertar cerca de mil e novecentos prisioneiros palestinos ao longo do acordo. Cinco reféns tailandeses também foram soltos fora dos termos do cessar-fogo.

A continuidade do acordo permanece incerta, com divergências entre as partes sobre o avanço para um cessar-fogo definitivo. Enquanto Israel busca garantir a libertação de reféns sem discutir o futuro político de Gaza, o Hamas condiciona novas liberações ao compromisso de um fim definitivo para o conflito e à retirada israelense do território.

Foto: Omar Al-Qattaa


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