A possível nomeação de Gleisi Hoffmann (PT) para a articulação política reabriu as discussões sobre o futuro da Secretaria-Geral da Presidência, cargo para o qual a petista já esteve cotada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia substituir o atual ocupante da pasta, Márcio Macêdo (PT), pelo deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP).
Segundo interlocutores do presidente, Lula já mencionou o nome de Boulos, seu candidato à Prefeitura de São Paulo em 2024, para assumir a pasta responsável pelo diálogo com movimentos sociais. Como liderança do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Boulos tem histórico de articulação com esses grupos, o que fortaleceria sua posição na Secretaria-Geral.
Márcio Macêdo, que atualmente ocupa o cargo, foi tesoureiro da campanha de Lula em 2022. No entanto, a nomeação de Boulos seria estratégica para reforçar a disputa política, um dos fatores que levaram à escolha de Gleisi para a Secretaria de Relações Institucionais. Procurado, Boulos não se manifestou sobre a possibilidade.
Outro nome cogitado para o posto é o do advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, alinhado ao governo. Marco Aurélio defendeu Lula durante a Operação Lava Jato e foi cotado para a função na formação do governo. Diferentemente de Boulos, ele não é candidato para 2026, o que poderia garantir sua permanência no cargo até o fim do mandato.
A eventual indicação de Boulos exigiria um rearranjo partidário. O PSOL já comanda o Ministério dos Povos Indígenas, com Sônia Guajajara, e aliados do governo apontam que ocupar duas pastas seria desproporcional ao tamanho da legenda. Além disso, uma ala do PSOL mantém postura crítica ao governo e defende distanciamento do Planalto.
Entre as possibilidades avaliadas está a filiação de Boulos ao PT, algo que aliados pressionam há tempos. Caso ocorra, a mudança facilitaria sua nomeação para um ministério e consolidaria sua relação com Lula.
A reforma ministerial em curso já resultou em trocas importantes. A ministra da Saúde, Nísia Trindade, foi substituída por Alexandre Padilha (PT), que, por sua vez, comandava as Relações Institucionais. Essa pasta agora ficará sob o comando de Gleisi Hoffmann, presidente do PT, cujo nome também era cogitado para a Secretaria-Geral. Outros petistas, como os deputados José Guimarães (PT-CE) e Paulo Pimenta (PT-RS), também foram mencionados para o posto.
Diferente da Secretaria de Relações Institucionais, disputada pelo MDB, PP e Republicanos, a Secretaria-Geral é tradicionalmente ocupada por quadros de confiança de Lula. Desde o início da reforma ministerial, aliados do presidente afirmam que ele não indicará ninguém que não tenha sua confiança pessoal. Lula chegou a dizer que considera Boulos “mais petista” do que alguns membros históricos do partido.
Durante a transição de governo, Boulos foi cotado para assumir um ministério e integrou o grupo de trabalho de Cidades. No entanto, sua nomeação não avançou, pois ele já estava definido como candidato à Prefeitura de São Paulo.
Com apoio direto de Lula, o PT abriu mão de lançar candidato na capital paulista para fortalecer Boulos. O psolista chegou ao segundo turno, mas foi derrotado pelo atual prefeito, Ricardo Nunes (MDB), que contou com o apoio do bolsonarismo para sua reeleição.
Lula tem apreço e confiança em Boulos. Em 2024, foi um dos poucos candidatos pelos quais o presidente fez campanha de forma efetiva. Contudo, na reta final do primeiro turno, Lula não compareceu a São Paulo para um ato na Avenida Paulista ao lado de Boulos, devido a um problema de saúde. Ele havia sofrido uma queda no banheiro do Palácio da Alvorada, o que limitou sua agenda pública.
No dia 3 de outubro, Lula participou de uma transmissão ao vivo com Boulos em suas redes sociais. Durante a conversa, afirmou que o psolista chegava às vésperas do primeiro turno em “posição confortável” e fez um apelo para que os eleitores, especialmente as mulheres, votassem nele. Na eleição, Boulos teve Marta Suplicy (PT) como vice em sua chapa, em um esforço conjunto com o Partido dos Trabalhadores para conquistar o eleitorado paulistano.
A possível nomeação de Boulos para a Secretaria-Geral da Presidência pode consolidar ainda mais sua relação com Lula e fortalecer seu papel na política nacional. O desfecho da reforma ministerial definirá o futuro da pasta e o espaço do PSOL no governo.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

