O novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que sua principal prioridade será diminuir o tempo de espera para atendimentos especializados no Sistema Único de Saúde (SUS). Durante a cerimônia de posse nesta segunda-feira (10), no Palácio do Planalto, ele destacou a necessidade de enfrentar esse desafio com medidas estruturais e investimento adequado.
“Chego ao Ministério da Saúde com uma obsessão: reduzir o tempo de espera para quem precisa de atendimento especializado no nosso país. Não há solução mágica para um gargalo que ultrapassa décadas e se agravou com a pandemia e o descaso do governo anterior”, afirmou Padilha.
Ele assume a pasta no lugar de Nísia Trindade, que esteve à frente do ministério desde janeiro de 2023. Entre as iniciativas propostas, Padilha destacou a criação de um novo modelo de remuneração para garantir que o atendimento especializado aconteça no tempo adequado. Além disso, ressaltou que uma das prioridades será reduzir o tempo de espera para o diagnóstico e tratamento do câncer.
Outra frente de atuação será a intensificação da vacinação no país, convocando a sociedade para um amplo movimento em defesa da vida. “Queremos chamar de volta todos aqueles que se mobilizaram durante a covid para proteger nossas crianças, idosos e famílias por meio da vacinação. Irei a cada canto desse país com esse propósito”, declarou.
O novo ministro também se comprometeu a combater o negacionismo e ideologias que desconsideram a ciência e a saúde pública. Padilha agradeceu a Nísia Trindade e sua equipe pelo trabalho realizado na reconstrução do Ministério da Saúde e elogiou Gleisi Hoffmann por sua atuação política.
Médico infectologista formado pela Universidade de São Paulo (USP), Padilha tem PhD em saúde pública pela Unicamp e experiência como professor universitário. Já comandou o Ministério da Saúde entre 2011 e 2014, no governo Dilma Rousseff, e foi ministro das Relações Institucionais no segundo governo Lula.
Nísia Trindade, em discurso de despedida, destacou que encontrou um Ministério da Saúde desmontado e desacreditado. Entre os avanços de sua gestão, mencionou a retomada de programas como o Mais Médicos e o Farmácia Popular, além da recuperação da cobertura vacinal no Brasil.
A ex-ministra também relembrou sua trajetória como primeira mulher a presidir a Fiocruz e a liderar o Ministério da Saúde. Durante sua fala, criticou a campanha misógina que sofreu ao longo dos 25 meses em que esteve no cargo.
“Ainda que o sentimento predominante em mim seja a satisfação por ter feito parte da equipe do presidente Lula e ter servido ao meu país, não posso esquecer que durante esse período, fui alvo de uma campanha sistemática e misógina para desvalorizar meu trabalho, minha capacidade e minha idoneidade. Não podemos aceitar como natural esse tipo de comportamento político”, declarou Nísia.
Foto: Jose Cruz/Agência Brasil

