O Hamas anunciou nesta terça-feira (11) que as negociações indiretas sobre a continuidade da trégua com Israel na Faixa de Gaza tiveram início em Doha, no Catar. O cessar-fogo está em vigor desde 19 de janeiro, como parte dos esforços internacionais para reduzir o conflito na região.

“Um novo ciclo de negociações de cessar-fogo começou”, declarou Abdel Rahaman Shadid, um alto representante do grupo palestino. Ele expressou esperança de que a rodada atual resulte em avanços significativos rumo à segunda fase da trégua e destacou o papel do enviado dos Estados Unidos, Steve Witkoff, nas tratativas.

Shadid também responsabilizou o governo norte-americano pelo seu apoio irrestrito a Israel, aliado histórico dos Estados Unidos. O acordo de trégua, mediado por Catar, Egito e Estados Unidos, interrompeu os combates em 19 de janeiro, após 15 meses de guerra, deflagrada pelo ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.

Na primeira fase do cessar-fogo, que terminou em 1º de março, o Hamas libertou 33 reféns israelenses – incluindo oito mortos –, sequestrados durante o ataque de outubro. Em troca, Israel libertou cerca de 1.800 prisioneiros palestinos. Atualmente, as delegações israelense e do Hamas, com o intermédio de mediadores americanos e catarianos, tentam superar os impasses para avançar na segunda fase do acordo.

De acordo com o Hamas, essa nova etapa prevê um cessar-fogo permanente, a retirada completa das tropas israelenses da Faixa de Gaza e a libertação dos últimos reféns. Israel, no entanto, deseja estender a primeira fase da trégua até meados de abril e exige a “desmilitarização total” do território, a saída do Hamas e a devolução dos reféns restantes antes de negociar novos termos.

O exército israelense estima que ainda há 58 reféns mantidos em Gaza, sendo que 34 deles já foram declarados mortos. O enviado especial dos Estados Unidos para a questão dos reféns, Adam Boehler, que recentemente teve contatos diretos com o Hamas, afirmou no domingo que um acordo para a libertação dessas pessoas pode ocorrer “nas próximas semanas”.

Contudo, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, minimizou as expectativas na segunda-feira, ao classificar as negociações diretas como uma “situação excepcional” que, até o momento, “não produziu resultados concretos”. Apesar disso, ele defendeu os esforços diplomáticos, afirmando que “vale a pena tentar qualquer caminho possível para garantir a libertação dos reféns”.

Foto: Bashar Taleb


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