O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reagiu às críticas de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após seu encontro com o influenciador Renato “38tão”, conhecido por ataques ao antigo mandatário. O parlamentar utilizou as redes sociais, nesta quarta-feira (12), para afirmar que suas ações são guiadas por valores e convicções, e que não teme perder capital político para se manter fiel aos seus princípios.

“Me movo de acordo com os valores e convicções, e não com base em um manual de conduta saído da mente de quem se imagina, por alguma razão, ter relevância, grandeza e moral para ser fiscal da conduta alheia. Não vou parar, nem mesmo ser submisso ao medo do julgamento e ataques coordenados dos perfis falsos que fazem suas opiniões parecerem ter eco no povo ou serem relevantes no mundo real”, declarou Nikolas.

O parlamentar alegou que enfrenta uma “campanha de ataques covardes e desonestos” há meses e argumentou que o radicalismo verbal não contribui para fortalecer o apoio a Bolsonaro. Para ele, é necessário adotar uma postura estratégica para manter e ampliar a base de apoio do ex-presidente, denunciado pela Procuradoria-Geral da República por tentativa de golpe de Estado.

“A minha postura de não sair esculhambando descontroladamente qualquer um que tenha nutrido alguma insatisfação pelo Presidente após o seu governo é simples: ele precisa de apoio e, por incrível que pareça, xingar aos quatro cantos não me parece a mais inteligente e eficiente de conseguir isso”, justificou o deputado.

Nikolas também defendeu a importância do diálogo com aqueles que não são eleitores fiéis de Bolsonaro. Segundo ele, insultar indivíduos que expressaram decepção com o ex-presidente não é a melhor maneira de reconquistá-los. “É realmente difícil imaginar que, nos últimos meses, alguma alma viva insatisfeita tenha pensado ‘É, tem razão, vou votar no Bolsonaro’ logo após ter sido chamado de mau caráter, burro, desleal, aproveitador, psicopata, traidor, vagabundo’ por algum autodenominado fiel escudeiro do Presidente. Falar apenas para convertidos, dedicar-se a brigas intermináveis que não fazem nenhum sentido para quem olha de fora, é ajudar a direita?”, questionou.

A postura do deputado, no entanto, gerou desconforto dentro da base bolsonarista. Nikolas, que é considerado um dos principais aliados de Bolsonaro, tem sido alvo de críticas cada vez mais frequentes dentro do grupo político do ex-presidente.

No mês passado, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sugeriu um possível afastamento de Nikolas ao comentar um vídeo do influenciador bolsonarista Allan dos Santos. No material, Allan critica Nikolas e outros aliados da direita por não defenderem Bolsonaro com mais contundência. Eduardo compartilhou o conteúdo e questionou o futuro da direita caso seu pai seja preso ou impedido de concorrer nas eleições presidenciais de 2026.

O episódio evidencia uma crescente tensão dentro do campo bolsonarista, com divisões sobre a melhor estratégia para fortalecer o movimento. Nikolas, por sua vez, reafirma que sua atuação seguirá baseada em suas próprias convicções e não na pressão de grupos políticos.

Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados


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