O Ministério da Fazenda manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em dois vírgula três por cento para este ano, a mesma taxa prevista para dois mil e vinte e seis. No entanto, a estimativa de inflação foi revisada para cima, passando de quatro vírgula oito por cento para quatro vírgula nove por cento, acima do teto da meta, que é de três por cento, com limite de tolerância até quatro vírgula cinco por cento.
Nos últimos doze meses até fevereiro, a inflação acumulada foi de cinco vírgula um por cento, impulsionada pelo aumento nos preços monitorados, como energia elétrica e transportes, e pela alta nos bens industriais. Em contrapartida, os preços dos alimentos apresentaram desaceleração, passando de oito vírgula dois por cento em dezembro para sete vírgula um por cento em fevereiro, devido à queda nos valores de itens como batata, banana e leite.
A equipe econômica ressaltou que medidas para conter a alta dos alimentos podem melhorar o cenário, assim como a estabilidade do câmbio em torno de cinco reais e oitenta centavos.
Entretanto, os brasileiros preveem inflação elevada para os próximos três anos, conforme apontado pelo novo indicador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). O índice, que mede mensalmente as expectativas de inflação para esse período, complementa o indicador já existente, voltado para doze meses. Os dados são coletados a partir da Sondagem do Consumidor do instituto.
Em fevereiro, a pesquisa revelou que pessoas de menor renda, que ganham até dois mil e cem reais, esperavam uma inflação de nove vírgula oito por cento nos próximos três anos. Já entre famílias com renda acima de nove mil e seiscentos reais, a expectativa foi de cinco vírgula sete por cento ao ano.
De acordo com Anna Carolina Gouveia, economista do FGV Ibre responsável pela pesquisa, famílias de menor poder aquisitivo tendem a acreditar que os preços subirão mais rapidamente no futuro, pois são mais afetadas por variações em bens essenciais como alimentos e energia.
“Se o consumidor percebe aumentos constantes nos preços, sua expectativa de longo prazo também aumenta”, explica Gouveia.
Isso se refletiu no final do ano passado, quando a previsão de inflação para consumidores de baixa renda atingiu um pico de dez vírgula quatro por cento em janeiro, coincidindo com sucessivas altas nos preços dos alimentos, que aumentaram mais de um por cento ao mês entre outubro e janeiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisa do FGV Ibre contrasta com as expectativas do Boletim Focus, do Banco Central, que reúne projeções do mercado financeiro. Segundo o relatório divulgado na última segunda-feira, as previsões para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação, são de quatro vírgula quarenta e oito por cento para dois mil e vinte e seis, quatro por cento para dois mil e vinte e sete e três vírgula setenta e oito por cento para dois mil e vinte e oito.
“Os consumidores são mais sensíveis a variações de preços, como ocorre atualmente com o ovo e o café, o que gera pessimismo”, avalia Gouveia. “A inflação é percebida de formas diferentes dependendo do nível de renda, do acesso à informação e de outros fatores.”
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

