Durante sessão solene da Câmara dos Deputados em homenagem aos 60 anos do Banco Central, nesta terça-feira (1º), o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, afirmou que a economia brasileira é marcada por uma série de subsídios cruzados que classificou como “perversos e regressivos”.
Segundo Galípolo, é compreensível que diversos setores desejem se beneficiar simultaneamente de diferentes mecanismos de apoio, mas cabe ao Banco Central esclarecer essas distorções à sociedade. “Todo mundo gostaria de receber benefícios de todos os lados, mas o papel do Banco Central é justamente discutir isso com clareza. A comunicação é um dos principais desafios da autoridade monetária”, destacou.
Ele lembrou que até meados dos anos 1990 o tema da comunicação institucional era praticamente inexistente entre os bancos centrais, inclusive nas principais economias do mundo. “Nem mesmo decisões de política monetária eram explicadas ao público. Hoje, isso mudou, e temos o desafio de tornar essas decisões mais compreensíveis”, afirmou.
Para Galípolo, a comunicação deve ir além do setor financeiro. “Precisamos falar com a população como um todo, abordando temas como estabilidade, prevenção a fraudes, golpes, regulação e alterações legais que impactam milhões de brasileiros”, enumerou. Ele considerou essencial que o Banco Central conquiste mais espaço no debate público e aprofunde o diálogo com a sociedade.
Sem citar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva — que costuma criticar a condução da política de juros —, nem deputados que manifestaram críticas durante o evento, Galípolo defendeu o direito de representantes eleitos se manifestarem. “É absolutamente legítimo que pessoas democraticamente eleitas se pronunciem sobre o trabalho do Comitê de Política Monetária (Copom). Isso é essencial, importante e faz parte da democracia”, concluiu.
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

