Os ministros de Meio Ambiente dos países do Brics aprovaram, nesta quinta-feira, quatro de abril, uma declaração conjunta sobre sustentabilidade, ao final de uma reunião de alto nível realizada em Brasília. O documento reforça o compromisso do grupo com o multilateralismo ambiental, a governança global equilibrada e a cooperação baseada em ciência para enfrentar os desafios ecológicos do planeta. “Reconhecemos a necessidade urgente de enfrentar desafios ambientais globais e regionais de maneira colaborativa e baseada na ciência”, diz um dos trechos da carta aprovada.
Na abertura do encontro, a ministra do Meio Ambiente do Brasil, Marina Silva, destacou o papel estratégico do Sul Global e a crescente importância dos países do Brics nas agendas internacionais. “Nas próximas décadas, a força de nossas economias nos tornará ainda mais influentes. Hoje, representamos cerca da metade da população mundial e trinta e nove por cento do Produto Interno Bruto global”, afirmou.
Marina ressaltou ainda que os países do Brics prestam serviços ambientais essenciais ao planeta e que são fundamentais para soluções baseadas na natureza. “Temos condições de liderar uma transição ecológica justa que fortaleça um mundo multipolar mais cooperativo e menos desigual”, declarou, dando as boas-vindas aos novos integrantes do grupo: Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.
A declaração ministerial aprovada estrutura-se em sete tópicos, com base nos quatro eixos definidos pela presidência brasileira: desertificação, degradação da terra e seca; preservação e valorização dos serviços ecossistêmicos; poluição plástica e gestão de resíduos; e liderança coletiva em ações climáticas, em alinhamento com a Agenda 2030 das Nações Unidas.
O texto destaca a urgência de acelerar a transição para economias de baixo carbono, como estratégia de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. O Acordo de Paris é reconhecido como um marco essencial por estabelecer as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), com metas para conter o aquecimento global em até um vírgula cinco grau Celsius.
Marina Silva reforçou que o Brics é essencial para manter esse objetivo global. “O avanço do unilateralismo e de discursos extremistas compromete a estabilidade e aprofunda as injustiças, afetando principalmente as populações mais vulneráveis. Essa instabilidade se agrava no contexto da emergência climática”, alertou. “O ano passado foi o mais quente da história. Pela primeira vez, superamos o limite crítico de um vírgula cinco grau Celsius. Nesse cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reiterado o papel do Brics como espaço de diálogo e construção coletiva de soluções.”
A declaração conjunta também sublinha as “capacidades e circunstâncias nacionais” dos membros do Brics no enfrentamento da crise climática e cobra maior apoio internacional à transferência de tecnologias e financiamento climático para os países em desenvolvimento. Essa será uma das principais pautas da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP Trinta, que ocorrerá em novembro, em Belém (PA), sob presidência brasileira.
Presente ao evento, o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP Trinta, ressaltou o peso geopolítico e econômico do Brics. “O grupo representa quase cinquenta por cento da população mundial e cerca de quarenta por cento do PIB global. Quando falamos em mudanças climáticas, falamos também em transformações econômicas profundas. Por isso, a participação do Brics é fundamental”, afirmou.
Corrêa do Lago destacou ainda a proposta brasileira de criação de um fundo climático específico para a preservação de florestas. “Desde o início das negociações da Convenção do Clima, o financiamento tem sido um ponto sensível. O fundo ‘Florestas Tropicais Para Sempre’ é inovador por propor um mecanismo dedicado exclusivamente à conservação. Para esse tipo de atividade, não havia ainda um instrumento financeiro bem estruturado. O TFFF busca justamente preencher essa lacuna”, explicou.
A expectativa é que o novo fundo se torne uma das propostas centrais do Brasil durante a COP Trinta, como alternativa concreta para destravar o financiamento internacional voltado à proteção das florestas tropicais, elemento essencial para conter o aquecimento global e preservar a biodiversidade.
Foto: Isabela Castilho/Brics Brasil

