A exoneração de Bruno Barral da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte, determinada nesta quinta-feira (04/04) após operação da Polícia Federal, trouxe repercussões políticas significativas. Indicado ao cargo pelo União Brasil em abril de 2023, Barral era um nome técnico vindo de Salvador, na Bahia, e sua nomeação gerou controvérsias desde o início. Durante a campanha eleitoral, o então prefeito Fuad Noman (PSD) teve que defender a escolha diante das críticas de adversários.
A situação ganhou destaque durante debate promovido pelo jornal *O Tempo*, na semana anterior ao primeiro turno. O deputado federal Rogério Correia (PT), candidato à Prefeitura, ironizou: “É um secretário da Educação que veio da Bahia. Quando chegou aqui, não sabia onde era a avenida do Contorno, muito menos o nome de uma escola municipal”. A fala ilustrou o desconforto de parte da classe política com a presença de um gestor externo na pasta.
Ao longo dos dois anos da gestão Fuad, a Educação passou por cinco secretários diferentes, refletindo instabilidade e disputas internas. Barral assumiu o posto após a saída de Charles Diniz, ligado a Marcelo Aro (PP), então secretário estadual de Governo e aliado político de Fuad.
Mais recentemente, vereadores começaram a discutir a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis irregularidades na pasta. No ano passado, o ex-presidente da Câmara Municipal, Gabriel Azevedo (MDB), já havia denunciado suspeitas de desvios.
A exoneração de Barral foi publicada em edição extra do *Diário Oficial* do Município, atendendo a decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele foi alvo de mandado de busca e apreensão na terceira fase da Operação Overclean. Na casa de Barral, a PF encontrou R$ 120,8 mil em espécie, distribuídos em reais, dólares e euros.
As investigações indicam vínculos entre o ex-secretário e Marcos Moura, empresário conhecido como “Rei do Lixo”, apontado como peça central no esquema. Moura também foi alvo da operação desta quinta-feira.
A crise coincidiu com a posse do novo prefeito, Álvaro Damião (União Brasil), que assumiu após a morte de Fuad. Sobre o caso, Damião afirmou que as suspeitas envolvem Salvador, não Belo Horizonte, mas que não acobertará nenhum secretário investigado.
Foto: Divulgação PBH

