O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi uma das principais vozes do ato deste domingo (6) na Avenida Paulista, em São Paulo, em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pela anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Ao lado de Bolsonaro, Tarcísio discursou afirmando que o alto preço dos alimentos no Brasil é consequência da ausência do ex-presidente no poder. “Se o ovo, a carne e outros alimentos estão caros, é porque Bolsonaro precisa voltar”, afirmou.
O ato reuniu apoiadores do ex-presidente, lideranças religiosas e sete governadores — além de Tarcísio, estavam presentes Jorginho Melo (SC), Romeu Zema (MG), Wilson Lima (AM), Mauro Mendes (MT), Ratinho Júnior (PR) e Ronaldo Caiado (GO). A primeira-dama Michelle Bolsonaro também discursou e ergueu um batom como símbolo do movimento, fazendo referência à cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, condenada a 14 anos de prisão por pichar a estátua da Justiça em frente ao STF com a frase “perdeu, mané”.
Tarcísio defendeu o uso da anistia como instrumento legítimo da história nacional. “Houve outros momentos em que a anistia foi aplicada. Podemos recuperar esse instituto agora”, disse, antes de completar: “Eu quero prisão sim, mas para assaltante, para quem rouba celular, para quem invade terra e para corrupto”. Sua fala foi recebida com aplausos e serviu como um dos momentos mais marcantes do ato.
Antes do início oficial da manifestação, houve tumulto no carro de som, quando apoiadores tentaram subir no trio elétrico após a entrada de Tarcísio. Os seguranças intervieram, gerando empurra-empurra, mas a situação logo foi contornada.
Durante a manifestação, a Avenida Paulista foi ocupada por cartazes, faixas e até mesmo um batom inflável gigante, em referência à pena considerada desproporcional imposta à pichadora Débora. Placas diziam: “Cuidado ao usar essa arma, te condena há 14 anos“, apontando o batom como símbolo de injustiça.
Além de Tarcísio, outros governadores também defenderam o projeto de anistia, que tramita na Câmara mas ainda não foi pautado. Ronaldo Caiado afirmou que os atos do 8 de janeiro são “indefensáveis”, mas que as penas aplicadas são excessivas. “Queremos justiça, mas sem uma ação do Estado que pareça vingança”, disse o governador goiano. Ratinho Júnior (PR) reforçou a ideia de que há uma “inversão de valores” e que a manifestação era feita “em nome da população brasileira”.
Michelle Bolsonaro, por sua vez, pediu que os ministros do Supremo revejam suas decisões. Dirigindo-se diretamente ao ministro Luiz Fux, ela pediu: “Não deixe mães na cadeia”. A primeira-dama também usou o microfone para exortar os eleitores a escolherem com cuidado seus candidatos nas eleições de 2026. Ao final, reuniu três dos filhos de Bolsonaro — Flávio, Carlos e Jair Renan — ao lado do ex-presidente e lembrou que Eduardo Bolsonaro estava fora do país.
Silas Malafaia, pastor evangélico e um dos organizadores do ato, usou o palanque para criticar duramente o Supremo Tribunal Federal e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Malafaia acusou Motta de impedir que o requerimento de urgência do projeto de anistia avançasse. “Você, Hugo Motta, está envergonhando o honrado povo da Paraíba”, disse. Malafaia também chamou ministros do STF de “ditadores” e orou para que “esses homens maus não prevaleçam”.
Em outro momento inflamado do ato, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) chamou o ministro Alexandre de Moraes de “covarde” e disse que o 8 de janeiro foi usado para perseguir adversários políticos. “Altas penas são para criminosos, não para baderneiros”, bradou. “Tentaram nos amedrontar. Se lascou, olha a gente aqui!”, declarou, sendo ovacionado pelo público.
Apesar da força do ato entre bolsonaristas, pesquisas mostram que a maioria da população brasileira é contra a anistia. Levantamento divulgado neste domingo pela Genial/Quaest indica que 56% dos entrevistados defendem que os envolvidos nos atos golpistas devem continuar presos, contra 34% que acreditam que já cumpriram pena suficiente ou nem deveriam ter sido detidos.
Ainda assim, os discursos na Paulista miraram a narrativa de que os condenados são vítimas de exageros judiciais e perseguições políticas. Além do “varal de mártires” com fotos de presos do 8 de janeiro, músicas inéditas também embalaram a manifestação — um trap com o verso, “não houve golpe, nem tentativa de golpe, só tinha mulheres”, foi entoado, ao lado de faixas em sertanejo e pop com mensagens semelhantes.
Ao final da tarde, o ato consolidou Bolsonaro como líder de convergência da direita, mesmo inelegível até 2030. A presença massiva de governadores, parlamentares e figuras do bolsonarismo reforçou a tentativa de manter viva a pauta da anistia no Congresso, além de projetar um discurso de união da direita mirando as eleições de 2026. Ainda sem data para votação, o projeto de anistia continua travado na Câmara dos Deputados, mas ganhou novo fôlego com a demonstração de força da base bolsonarista na Paulista.
Foto: Flavio Florido

