Neste domingo (7), a Avenida Paulista, em São Paulo, foi palco de mais uma manifestação convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), desta vez com um objetivo específico: pedir anistia para os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O evento reuniu governadores, parlamentares, lideranças da direita e simpatizantes de Bolsonaro. A mobilização foi organizada com o intuito de reforçar o apoio a um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados, mas que ainda não tem previsão de ser pautado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Bolsonaro chegou ao local por volta das 13h45, acompanhado por aliados próximos, incluindo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A manifestação teve início às 14h, com a execução do hino nacional, e ao longo do ato estavam previstas falas de pelo menos dez representantes da direita. No trio elétrico, além de Bolsonaro e Michelle, também estavam o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e parlamentares como a senadora Tereza Cristina (PP-MS).

A organização do evento divulgou, no dia anterior, uma lista com a confirmação de presença de 117 políticos alinhados com o ex-presidente. Entre eles estavam o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, sete governadores, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), além de senadores, deputados federais e estaduais, vereadores da capital e de outras cidades do estado.

Antes mesmo da manifestação, Valdemar voltou a declarar que Bolsonaro é um “fenômeno político” e que o grupo está mobilizado pela anistia. Apesar da inelegibilidade de Bolsonaro até 2030, ele reforçou que o ex-presidente é o nome preferido do PL para a disputa de 2026. “Todos nós vamos trabalhar para isso. Queremos anistia. É por isso que estamos aqui. Claro que ainda precisamos ver como vai ficar a situação do Bolsonaro, mas tenho certeza que ele será candidato”, afirmou o dirigente partidário.

Valdemar também comentou a pesquisa Datafolha divulgada no mesmo dia do ato, que mostra que 67% dos eleitores não desejam a candidatura de Bolsonaro. “Para nós, o Bolsonaro é o candidato. É o melhor nome. Não temos outra opção. Vamos trabalhar muito para isso”, declarou.

Também neste domingo, foi divulgada a pesquisa Quaest, que traz resultados pouco animadores para a pauta da manifestação. Segundo o levantamento, 56% dos brasileiros são contrários à anistia e acreditam que os envolvidos nas invasões de 8 de janeiro devem continuar presos cumprindo suas penas. Outros 34% consideram que essas pessoas já ficaram tempo demais na prisão ou sequer deveriam ter sido detidas.

Durante a manhã, Bolsonaro posou para fotos com políticos e lideranças de direita. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que hospedou Bolsonaro no Palácio dos Bandeirantes, publicou uma foto ao lado do ex-presidente e de outros seis governadores: Romeu Zema (MG), Jorginho Mello (SC), Ronaldo Caiado (GO), Wilson Lima (AM), Ratinho Júnior (PR) e Mauro Mendes (MT). O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), que havia confirmado presença, cancelou a ida à Paulista devido às chuvas no estado, mas gravou um vídeo declarando apoio à pauta da anistia.

Entre os governadores presentes, Ronaldo Caiado afirmou que estava ali por considerar a manifestação um movimento nacional por justiça. Ele também se apresentou como um dos cinco possíveis presidenciáveis da direita para 2026. “O Estado não pode vingar, ele tem que julgar com equilíbrio. É hora de pacificar o Brasil. Hoje temos cinco presidenciáveis aqui: eu, Zema, Ratinho, Tarcísio e Bolsonaro. Não é fragmentação, é a realidade”, afirmou o goiano, que lançou sua pré-candidatura na sexta-feira anterior.

Zema também discursou, afirmando que está disposto a colaborar com a direita e minimizar a divisão entre os postulantes ao Planalto. “A proposta da direita é muito semelhante. Em Minas fizemos a diferença e quero contribuir. A definição da candidatura virá depois. O importante é que estamos aqui, juntos, sete governadores. Estou pronto para somar com o projeto do Brasil”, disse.

Michelle Bolsonaro, ausente no ato anterior realizado no Rio de Janeiro, marcou presença neste domingo e posou ao lado de outras mulheres, como Gracinha Caiado, esposa do governador de Goiás.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos mais populares nas redes sociais, destacou a capacidade de Bolsonaro, mesmo inelegível, de reunir a direita. Ele mencionou um vídeo recente sobre anistia que ultrapassou 50 milhões de visualizações em dois dias. “É impressionante que alguém inelegível tenha mais força política que o atual presidente. Bolsonaro é um líder de convergência”, afirmou.

Desde as primeiras horas da tarde, apoiadores do ex-presidente já lotavam a Avenida Paulista, muitos carregando cartazes com pedidos de anistia. Chamava atenção o uso do batom como símbolo de resistência — em referência à condenação de Débora Rodrigues dos Santos, que pichou uma estátua em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) e foi sentenciada a 14 anos de prisão. Placas diziam: “Cuidado ao usar essa arma, te condena há 14 anos”, ao lado de imagens de batons.

Outro elemento visual marcante foi o chamado “varal de mártires”, com imagens de pessoas presas por envolvimento nos atos de 8 de janeiro. A manifestação também teve músicas originais. Um trap dizia: “Não houve golpe, nem tentativa de golpe, só tinha mulheres”. Também foram tocadas canções sertanejas e de estilo pop com temática semelhante, exaltando a narrativa de que os presos são vítimas de injustiça.

O ato deste domingo reforçou o apelo da base bolsonarista por anistia, mesmo diante do diagnóstico das pesquisas de opinião, que indicam uma maioria da população contrária à proposta. Ainda assim, Bolsonaro e seus aliados demonstraram disposição em manter o tema no centro do debate político e seguir articulando nos bastidores do Congresso para tentar transformar o clamor das ruas em projeto legislativo.

 

 

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