O governo brasileiro receberá, na próxima terça-feira (22), representantes da alfândega chinesa para discutir a ampliação das exportações de carne bovina ao país asiático. O encontro, conforme anunciou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD), faz parte da estratégia do Brasil de ocupar espaço no mercado chinês em meio à crescente tensão comercial entre China e Estados Unidos.

Segundo Fávaro, o Brasil está pronto para se apresentar como alternativa aos frigoríficos norte-americanos, ainda que não tenha a pretensão de substituir integralmente a carne dos Estados Unidos. Para ele, o país tem “muita vontade e capacidade” para ampliar sua participação no fornecimento global e ser um “grande fornecedor” para a China.

O ministro também destacou que o esforço do governo federal para ampliar as exportações vai além do mercado chinês. Ele mencionou os diálogos com Japão e Vietnã, intensificados durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aos dois países em março de 2025. A agenda diplomática visa abrir novos mercados para a carne bovina brasileira.

Apesar das intenções, a China recentemente rejeitou os 28 frigoríficos brasileiros indicados pelo Ministério da Agricultura para exportar carne ao país. A negativa ocorreu após análise técnica da Administração-Geral de Aduanas da China (GACC, na sigla em inglês).

Fávaro destacou ainda a importância do Brics na segurança alimentar global. Segundo o Mapa, os países do bloco representam 30% das terras agrícolas do planeta, 30% da pesca extrativa, 70% da produção aquícola e metade da população mundial. Diante desses dados, o ministro defendeu que o grupo assuma o protagonismo na promoção de uma produção sustentável de alimentos, na justiça social no campo e na inovação tecnológica voltada ao Sul Global.

 

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil