Depois de ser derrotada na eleição interna da Rede Sustentabilidade, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, recebeu um convite para se filiar ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). A proposta foi feita pelo presidente da sigla, Carlos Siqueira, e também se estendeu a outros integrantes de sua corrente política, como a deputada estadual Marina Helou (SP), que também foi sondada.
Caso aceite, Marina retornaria ao PSB, partido pelo qual disputou a Presidência da República em 2014, após a morte de Eduardo Campos, então candidato da legenda e seu companheiro de chapa. Naquela eleição, ela obteve seu melhor desempenho nacional, terminando em terceiro lugar.
Apesar da aproximação com o PSB, Marina e seu grupo político ainda não cogitam formalmente sair da Rede, embora reconheçam que as chances de reverter a atual configuração interna do partido são remotas. Desde a ascensão do grupo da ex-senadora Heloísa Helena ao comando da legenda, os aliados da ministra têm apostado em questionamentos judiciais para tentar anular decisões recentes.
A disputa interna se intensificou antes mesmo da escolha de Paulo Lamac, secretário de Relações Institucionais de Belo Horizonte e aliado de Heloísa, como novo porta-voz do partido. A ala de Marina acusou Heloísa de agir com arbitrariedade e de desrespeitar as normas democráticas da legenda. A direção da Rede, por sua vez, respondeu que as decisões foram tomadas conforme as regras estatutárias e acusou os adversários de não aceitarem o resultado do processo eleitoral.
Apesar da crescente tensão, Marina e seus apoiadores reafirmam o desejo de permanecer na sigla, que ajudaram a fundar em 2013 como alternativa política tanto ao governo petista quanto à oposição tradicional da época. Já Heloísa Helena, vinda do PSOL, ingressou na Rede em 2015 e, desde então, passou a disputar espaço na condução do partido.
Mesmo assim, membros próximos a Marina admitem que, se a atual conjuntura interna persistir até as eleições de 2026, a saída pode ser inevitável. As eleições municipais deste ano já evidenciaram o distanciamento entre os dois grupos em capitais estratégicas.
Um dos principais embates ocorreu em Pernambuco, onde o deputado federal Túlio Gadelha, ligado a Marina, ficou sem legenda para disputar a prefeitura do Recife. A direção nacional optou por apoiar a candidatura de Dani Portela, do PSOL, o que causou insatisfação. Como consequência, a Rede elegeu apenas quatro prefeitos em todo o Brasil — o pior desempenho desde a criação do partido.
Aliados da ministra avaliam que sua corrente foi prejudicada pelas decisões da nova direção. Reunindo a maior parte dos mandatos da legenda, temem que a falta de sintonia política se reflita novamente em perdas eleitorais nos próximos anos.
A disputa entre Marina e Heloísa remonta às eleições de 2022 e está ancorada em diferenças ideológicas. Marina Silva defende um ambientalismo progressista com diálogo com o mercado, buscando atrair alianças amplas. Já Heloísa Helena adota uma visão ecossocialista, que prega uma transformação estrutural do modelo econômico como base para a justiça ambiental.
Outro ponto de conflito é a relação com o governo Lula. Enquanto Marina ocupa o Ministério do Meio Ambiente, reforçando seu vínculo com o governo petista, Heloísa mantém postura crítica em relação ao PT desde sua expulsão da legenda em 2003, após votar contra a reforma da Previdência no primeiro mandato de Lula.
Mesmo diante das divergências, Marina e seus aliados garantem que continuarão a disputar espaço na Rede. Já Paulo Lamac, novo dirigente do partido, sinaliza o desejo de superar as tensões internas: “É um compromisso firmado pela união. Todos vão se empenhar. Essas questões internas são menores diante do trabalho da Rede e das bandeiras que defendemos”, declarou.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

