O Banco Central (BC) divulgou nesta quinta-feira (24) sua lista de prioridades regulatórias para os anos de 2025 e 2026, com foco em modernização, segurança e inovação no sistema financeiro. Entre os principais temas, destacam-se a expansão do Pix e a regulamentação do uso de inteligência artificial (IA) pelas instituições financeiras.

No caso do Pix, as metas envolvem padronizar os pagamentos por aproximação e avançar nas discussões para utilizar o Pix como garantia em operações de crédito, o que pode reduzir o risco de inadimplência e, consequentemente, os juros. Outra medida importante é a padronização do Pix Parcelado, para garantir transparência na cobrança de juros e taxas.

Em relação à inteligência artificial, o Banco Central acompanha de perto os debates internacionais e nacionais, inclusive no Congresso, para garantir o uso seguro e responsável da tecnologia no setor. “Nosso compromisso é que o desenvolvimento tecnológico ocorra de forma adequada no sistema financeiro”, afirmou Gilneu Vivan, diretor de Regulação do BC.

A seguir, os principais eixos das prioridades:

Pix

– Aproximação: padronizar dispositivos e regulamentar pagamentos por aproximação até maio.

– Parcelado: uniformizar o modelo de parcelamento entre instituições, com informações claras sobre taxas e juros.

– Garantia: permitir o uso do fluxo de transações Pix como garantia de crédito.

Inovação

– Open Finance: melhorar o desempenho e segurança do sistema de compartilhamento de dados entre instituições.

– Ativos virtuais: seguir regulando empresas que atuam com criptomoedas e similares.

– Banking as a Service: preencher lacunas regulatórias em parcerias entre empresas não financeiras e instituições autorizadas.

– Tokenização: fomentar o uso de tecnologia blockchain para transformar ativos em tokens.

– Inteligência artificial: garantir um ambiente regulatório adequado para o uso seguro da tecnologia no setor.

Ativos e produtos financeiros

– Crédito imobiliário: enfrentar a escassez de recursos da poupança e revisar contratos de empréstimos.

– Garantias: permitir o uso da previdência privada como garantia para financiamentos.

Câmbio e capitais internacionais

– Compensação de créditos: definir regras para compensação de valores entre residentes no Brasil e no exterior sem troca de moeda.

– Operações entre bancos: simplificar procedimentos e melhorar envio de dados ao BC.

– Câmbio eletrônico: revisar normas sobre transações digitais em moeda estrangeira.

Prudencial

– Capital mínimo: reavaliar os valores exigidos para instituições operarem no Brasil, hoje entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões.

Sustentabilidade

– Critérios contábeis: integrar dados de sustentabilidade nos relatórios financeiros das instituições.

Crédito rural

– Transparência: incluir novas exigências nas informações fornecidas por produtores às instituições financeiras.

Cooperativismo

– Recursos de municípios: revisar limites para captação de recursos públicos por cooperativas.

Denominação do sistema financeiro

– Regras mais claras: definir melhor o que caracteriza bancos, instituições de pagamento e outras categorias.

Conduta

– Prevenção de fraudes: revisar critérios para movimentação de contas e implementar mecanismos contra abertura não autorizada.

– Tarifas bancárias: reavaliar regras de cobrança de tarifas, em vigor há 15 anos, para adequá-las ao atual mercado.

Com esse conjunto de ações, o Banco Central pretende alinhar a regulação financeira brasileira às transformações tecnológicas, garantindo competitividade, proteção ao consumidor e estabilidade do sistema.

Foto: Sérgio Lima

 


Avatar

administrator