Deputados estaduais constataram, nesta segunda-feira (5 de maio), que o Hospital Júlia Kubitschek, localizado na região do Barreiro, em Belo Horizonte, mantém 114 leitos fora de funcionamento, mesmo diante do aumento dos casos de doenças respiratórias e da situação de emergência decretada pelo governo de Minas Gerais.

A vistoria foi realizada por parlamentares da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O deputado Lucas Lasmar (Rede), que participou da fiscalização, informou que estão inativos 12 leitos do Centro de Terapia Intensiva (CTI), 16 leitos de enfermaria e dois blocos com 86 leitos fechados desde 2010. No bloco cirúrgico, das sete salas existentes, apenas três estão operando.

Segundo o parlamentar, a falta de profissionais, especialmente técnicos de enfermagem e enfermeiros na área de neonatologia, compromete o funcionamento das unidades. “Constatamos ociosidade nos leitos e ausência de profissionais para assistência adequada”, afirmou Lasmar. Ele também criticou a falta de investimentos estaduais na saúde pública e lembrou problemas semelhantes em outras unidades da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), como o Hospital Maria Amélia Lins e o Hospital Infantil João Paulo II.

Neuza Freitas, diretora executiva do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde (Sind-Saúde/MG), destacou que o fechamento dos leitos decorre da falta de pessoal e não de equipamentos. “Há trabalhadores atendendo dois setores ao mesmo tempo, o que coloca em risco tanto os profissionais quanto os pacientes. Além disso, as obras intermináveis também oferecem riscos”, relatou.

A situação também afeta os usuários. Olga Oliveira, que buscava atendimento para ela e sua filha com febre alta desde a noite do domingo (4), relatou ter acionado a polícia para conseguir atendimento. “Tive que chamar a polícia para atenderem minha filha. Aplicaram álcool para baixar a febre. O hospital é bom, mas falta médico e o atendimento demora muito”, disse.

Cláudia Fernanda de Andrade, diretora-geral do Complexo Hospitalar de Especialidades da Fhemig, que inclui o Júlia Kubitschek e o Hospital Alberto Cavalcanti, informou que a fundação lançou um chamamento emergencial para contratação de 110 profissionais. As inscrições encerraram-se na segunda-feira (5), e a análise de currículos ocorrerá nos próximos dias. Segundo Cláudia, com as contratações, 10 leitos de terapia intensiva e outros de enfermaria deverão ser reativados na próxima semana, além do reforço na escala do pronto atendimento.

Cláudia também reconheceu a necessidade de modernizar a infraestrutura do hospital, que tem 64 anos. “Estamos finalizando a aquisição de novos cabos para instalação de equipamentos de ar-condicionado em várias áreas do hospital. Embora essenciais, essas modernizações na administração pública exigem tempo devido aos processos de licitação”, explicou.

Quanto à falta de insumos, a diretora afirmou que, embora existam faltas pontuais, elas não prejudicam o atendimento, já que materiais equivalentes estão disponíveis. “Na rede pública e até na privada, é comum a falta ocasional de algum item, mas sempre temos opções substitutas”, garantiu.

Lucas Lasmar afirmou que a comissão da ALMG continuará fiscalizando a rede Fhemig para identificar e cobrar soluções para problemas recorrentes que afetam o sistema de saúde estadual. “Os problemas não surgiram neste ano. A falta de prioridade do Estado para resolver as dificuldades da saúde pública é evidente”, disse o deputado.

A crise na rede Fhemig, segundo os parlamentares e representantes dos trabalhadores, reflete não apenas a escassez de recursos humanos, mas também atrasos em reformas e limitações no orçamento destinadas à saúde pública estadual.

As denúncias e constatações feitas durante a vistoria serão encaminhadas à Comissão de Saúde da ALMG, que poderá propor medidas para cobrar soluções do governo estadual e acompanhar os próximos passos da gestão da Fhemig quanto à reabertura de leitos e à melhoria da assistência hospitalar.

Foto: Willian Dias / ALMG


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