O Hospital Municipal de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, enfrenta uma situação crítica devido ao baixo estoque de sangue, o que pode levar à suspensão de cirurgias eletivas e até comprometer atendimentos de urgência. A escassez afeta todos os tipos sanguíneos, com destaque para o tipo O negativo, considerado universal em situações de emergência.
A médica Andrommeda Moreira, responsável técnica pela hematologia e pela agência transfusional da unidade, relatou que o estoque chegou a níveis alarmantes. “No fim de semana, o O negativo estava tão baixo que tivemos que rediscutir os atendimentos com a equipe médica, os técnicos e coordenadores das alas”, explicou.
O hospital possui quatro Centros de Terapia Intensiva (CTIs), além de leitos pediátricos e neonatais. É referência no atendimento a pacientes com traumas — lesões que exigem alto volume de sangue, sobretudo em casos com fator Rh negativo. A unidade realiza, em média, mil duzentos e cinquenta atendimentos por mês, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.
A médica aponta que o problema está relacionado ao aumento de doenças respiratórias. De acordo com recomendações do Ministério da Saúde, quem apresenta sintomas gripais ou alérgicos deve esperar sete dias após o fim dos sintomas para doar sangue. “Neste período do ano, muitos doadores habituais estão gripados. Como dependemos da Hemominas, e o número de doadores diminui, o volume redistribuído ao hospital também cai”, esclarece.
Em nota divulgada nesta segunda-feira (vinte e seis), a direção do hospital fez um apelo à população, pedindo doações com urgência, especialmente do tipo O negativo. Os interessados devem procurar os hemocentros de Betim ou Belo Horizonte e informar que a doação é destinada ao Hospital Municipal de Contagem.
Para Andrommeda Moreira, é fundamental mobilizar a sociedade. “Sangue não se compra. O estoque existe apenas graças aos doadores voluntários. Precisamos desmistificar ideias como a de que doar sangue causa anemia ou dor. Doar é um ato simples, seguro e salva vidas”, reforça.
Foto: Adelcio Ramos/PMG

