A recente filiação dos governadores Eduardo Leite (RS) e Raquel Lyra (PE) ao PSD reforça a estratégia da sigla de atrair líderes regionais com potencial eleitoral em 2026 e influência sobre redes locais de prefeitos. A expectativa é que essas adesões impulsionem o partido a ultrapassar a marca de mil prefeituras sob sua gestão, consolidando a liderança nacional no número de municípios administrados.

A movimentação também é vista como uma resposta política de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, diante do surgimento da “superfederação” entre União Brasil e Progressistas, que hoje detém a maior bancada da Câmara. Dirigentes avaliam que Kassab tenta antecipar o debate eleitoral e fazer frente à ofensiva liderada por Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União) nos estados.

A estratégia inclui entregar o comando dos diretórios estaduais aos recém-filiados, como forma de ampliar a capilaridade do partido. No caso de Raquel Lyra, ao deixar o PSDB em março, ela assumiu o PSD em Pernambuco, antes liderado pelo ministro da Pesca, André de Paula. O número de prefeituras sob controle do partido no estado saltou de 20 para 65 com a chegada de aliados da governadora.

No Rio Grande do Sul, onde o PSD havia saído das eleições municipais de 2024 com apenas 12 prefeituras, Eduardo Leite assumiu a articulação para fortalecer o partido e prepara um evento de filiação de lideranças municipais. A meta é competir com o MDB e o PP, que lideram em número de prefeituras no estado, com 126 e 164, respectivamente.

Em estados como Espírito Santo, o movimento expansionista também é visível. O ex-governador Paulo Hartung ingressou no PSD e, embora não tenha assumido a direção partidária, atuará na formação de novos quadros. O comando estadual permanece com o prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos.

Kassab continua investindo fortemente em São Paulo, aproveitando o enfraquecimento do PSDB. Ainda em junho, filiou prefeitos de cidades como Juquiá, Fernando Prestes e Itaporanga, que migraram de outras legendas. Ele também exerce influência direta na gestão estadual como secretário do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Internamente, o partido acredita já ter ultrapassado a marca de mil prefeituras, embora os números oficiais ainda estejam em atualização. Esse crescimento ocorre mesmo com perdas recentes, como a morte do prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman.

O PSD ainda tenta atrair dois governadores: Eduardo Riedel (PSDB), do Mato Grosso do Sul, e Paulo Dantas (MDB), de Alagoas. Riedel é o último governador tucano eleito em 2022 ainda filiado ao PSDB. Na eleição municipal anterior, os tucanos conquistaram 44 prefeituras no estado, enquanto o PSD elegeu apenas três. A entrada de Riedel no PSD pode equilibrar essa diferença, mas há forte concorrência do PP da senadora Tereza Cristina.

Em Alagoas, Kassab filiou o deputado federal Luciano Amaral (ex-PV), primo de Paulo Dantas, e o colocou no comando do diretório estadual. Sua missão será montar uma chapa competitiva, já que o partido não elegeu prefeitos no estado em 2024, nos 102 municípios em disputa.

Com presença consolidada em 889 cidades nas eleições passadas, o PSD segue ampliando seu domínio territorial. “Agora estamos do Acre ao Rio Grande do Sul”, resumiu o senador Sérgio Petecão (PSD-AC), celebrando a expansão da sigla. A estratégia de Kassab, embora silenciosa e descentralizada, se traduz em resultados práticos e torna o partido protagonista no cenário político nacional rumo a 2026.

Foto: Divulgação

 

 

 


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